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Alimentação natural para pets: Entenda os riscos e benefícios

A alimentação natural para pets ganha adeptos, mas exige acompanhamento veterinário para evitar riscos. Entenda os benefícios, desafios e quando ela é realmente indicada.
Por Redação
Alimentação natural para pets: Entenda os riscos e benefícios

Ilustrativa/Alimentação natural x ração -

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A alimentação natural para cães e gatos tem ganhado o coração de muitos tutores, que buscam uma dieta mais saudável e personalizada para seus bichinhos. No entanto, essa escolha, se feita sem a orientação certa, pode trazer mais problemas do que soluções.

É o que alerta o médico-veterinário Dr. Alan Pazian, especialista em nutrição animal. Ele explica que, por mais que a ideia de oferecer alimentos frescos e menos processados pareça boa, a falta de conhecimento sobre como fazer a transição e a formulação correta da dieta pode colocar a saúde do seu pet em risco.

O que é, de verdade, alimentação natural?

Muita gente pensa que dar as sobras do almoço ou jantar para o pet é alimentação natural. Mas o Dr. Alan Pazian faz questão de desmistificar isso.

“Ela utiliza ingredientes in natura ou minimamente processados, em proporções exatas de macro e micronutrientes, além de suplementação obrigatória quando indicada. Dar restos de comida humana não é alimentação natural. Pelo contrário, pode ser extremamente perigoso”, explica o veterinário.

Segundo ele, a alimentação natural (AN) é um plano alimentar técnico, feito sob medida para cada animal. Isso significa levar em conta a espécie, idade, peso, nível de atividade física, condição do corpo e qualquer problema de saúde que o pet possa ter.

Os perigos da comida humana para cães e gatos

Dar a comida que comemos para nossos pets é um erro comum e perigoso. Os alimentos do nosso dia a dia geralmente têm:

  • Excesso de sódio, gorduras e açúcares.
  • Condimentos que podem ser tóxicos.
  • Ingredientes proibidos para eles, como cebola, alho, uva, chocolate, adoçantes artificiais e ossos cozidos.

O Dr. Alan ressalta que essa prática também desequilibra a relação cálcio-fósforo, que é vital para a saúde dos ossos dos animais. A longo prazo, pode causar doenças graves como pancreatite, obesidade, problemas intestinais e insuficiência renal.

Quando a alimentação natural é uma boa opção?

Apesar da ração ser prática e nutricionalmente equilibrada, a alimentação natural pode ser muito benéfica em algumas situações específicas, sempre com acompanhamento de um especialista. O veterinário lista algumas delas:

  • Pets com doenças crônicas, como problemas renais, do fígado, gastrointestinais ou câncer.
  • Animais com alergias ou intolerâncias a certos alimentos.
  • Pacientes que têm o sistema digestivo sensível, não gostam de comer a ração ou a recusam.
  • Tutores que querem ter mais controle sobre a qualidade e a origem dos ingredientes oferecidos.

Desafios para os tutores

Adotar a alimentação natural exige dedicação. O Dr. Pazian destaca que os principais desafios para os tutores são:

  • O tempo de preparo das refeições.
  • A organização da rotina para garantir a dieta.
  • A necessidade de uma formulação profissional para que a dieta seja completa e segura.

“Sem orientação técnica, a dieta pode parecer saudável, mas ser metabolicamente inadequada”, alerta o especialista.

Exames e acompanhamento são essenciais

Antes de mudar a dieta do seu pet, é fundamental uma avaliação clínica completa. Isso inclui exames de sangue (hemograma, perfil bioquímico com ureia, creatinina, enzimas do fígado, glicemia e proteínas), além da análise da condição corporal e da massa muscular do animal. Em alguns casos, podem ser necessários exames de fezes, ultrassonografia ou avaliações hormonais.

Durante a fase de adaptação à nova dieta, observe os sinais. Se estiver dando certo, você notará:

  • Fezes bem formadas e com menos odor.
  • Pelagem mais brilhante e menos queda de pelos.
  • Boa aceitação da comida.
  • Energia adequada e manutenção do peso.

Fique atento aos sinais de alerta, que indicam que algo pode não estar bem:

  • Diarreia que não passa.
  • Perda ou ganho de peso sem explicação.
  • Falta de energia (letargia).
  • Vômitos frequentes.

A dieta como apoio em doenças crônicas

A alimentação natural pode ser uma grande aliada no tratamento de doenças crônicas, desde que seja formulada corretamente. O Dr. Alan Pazian destaca que ela oferece uma personalização que a ração comercial não consegue. Isso inclui:

  • Ajuste da energia para evitar perda excessiva de peso.
  • Controle específico de proteínas, fósforo e sódio.
  • Inclusão de gorduras anti-inflamatórias (como ômega-3).
  • Redução de ingredientes que causam inflamação.
  • Maior digestibilidade e melhor aproveitamento dos nutrientes.

É importante lembrar que a dieta é um suporte terapêutico, e não substitui o tratamento médico. Ela ajuda a melhorar a resposta clínica, a qualidade de vida e a adesão ao tratamento.

Os riscos de não suplementar corretamente

Um dos maiores perigos da alimentação natural sem orientação é a falta de vitaminas e minerais. O Dr. Pazian alerta para as consequências:

  • Falta de cálcio: Pode causar enfraquecimento dos ossos e fraturas.
  • Deficiência de zinco: Afeta a pele e a imunidade do animal.
  • Ausência de vitaminas do complexo B: Pode gerar problemas neurológicos.
  • Carência de iodo: Leva a distúrbios da tireoide.

“O problema é que essas deficiências são silenciosas no início e, muitas vezes, irreversíveis quando identificadas tardiamente. Por isso, alimentação natural sem suplementação adequada não é natural, é deficiente”, finaliza o médico-veterinário.