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Anvisa aprova Leqembi: Novo remédio para Alzheimer oferece esperança

Anvisa aprovou o medicamento Leqembi (lecanemabe) para tratamento de Alzheimer no Brasil. O remédio atua em estágios iniciais, ajudando a frear a progressão da doença ao reduzir placas amiloides no cérebro, trazendo nova esperança.
Por Redação
Anvisa aprova Leqembi: Novo remédio para Alzheimer oferece esperança

“Fevereiro Roxo” busca a conscientização em relação a três importantes doenças: o Alzheimer, a fibromialgia e o lúpus I Foto: Agência Brasil -

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Uma notícia que traz um raio de esperança para milhões de famílias brasileiras: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no final de dezembro, um novo medicamento para ajudar no tratamento do Alzheimer. O remédio, conhecido como lecanemabe e comercializado com o nome de Leqembi, é uma aposta importante na luta contra essa doença que afeta a memória e a capacidade de raciocínio.

Fabricado pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, o Leqembi é indicado para pacientes que estão nos estágios iniciais do Alzheimer, especificamente aqueles com dificuldades leves de memória e raciocínio ou com uma perda de memória mais branda, desde que tenham a presença de placas da proteína amiloide no cérebro. É importante lembrar que não se trata de uma cura, mas de um tratamento que busca frear o avanço da doença.

Como o Leqembi age no cérebro

O Alzheimer é caracterizado pelo acúmulo de certas proteínas no cérebro, entre elas a beta-amiloide, que formam as chamadas 'placas'. O lecanemabe atua de uma forma muito específica: ele se liga a pequenos aglomerados dessa proteína amiloide (chamados protofibrilas) antes que eles se transformem em grandes placas. Ao fazer isso, o medicamento ajuda a diminuir essas placas e, consequentemente, a desacelerar a progressão da doença.

“O acúmulo de placas amiloides no cérebro é uma característica fisiopatológica definidora do Alzheimer. O lecanemabe reduz as placas beta-amiloides.”, destacou a Anvisa em comunicado.

Essa ação faz do lecanemabe um tipo de anticorpo monoclonal antiamiloide, parte de uma nova geração de tratamentos que miram na raiz do problema, ao invés de apenas tratar os sintomas.

Estudos mostram resultados promissores

A aprovação do Leqembi pela Anvisa é baseada em estudos clínicos robustos. Uma pesquisa avaliou a segurança e a eficácia do medicamento com 1.795 pacientes em estágio inicial do Alzheimer, todos com as placas amiloides detectadas no cérebro. Os resultados foram animadores: o Leqembi conseguiu retardar o declínio cognitivo dos pacientes em comparação com aqueles que receberam placebo.

A evolução dos sintomas foi acompanhada por 18 meses, usando uma escala específica (CDR-SB) que mede como a demência impacta as atividades diárias. A Anvisa apontou que os maiores benefícios foram notados em pacientes que não tinham ou tinham apenas uma cópia do gene ApoE4, um grupo que geralmente tem menor risco de alguns efeitos colaterais.

Atenção: Quem não pode usar e os efeitos colaterais

Apesar da boa notícia, o tratamento com Leqembi não é para todos. Existem algumas contraindicações importantes:

  • Não é indicado para pessoas com uma mutação específica no gene APOE-e4, que pode aumentar tanto o risco de Alzheimer quanto de efeitos colaterais graves do medicamento.
  • Pacientes que apresentaram, em exames de ressonância magnética antes do tratamento, condições como:
    • Sangramento anterior dentro do cérebro.
    • Mais de quatro pequenos sangramentos no cérebro.
    • Depósitos de ferro na superfície do cérebro (siderose superficial).
    • Inchaço no cérebro que pode indicar um problema nos vasos sanguíneos causado pelas placas amiloides (edema vasogênico sugestivo de angiopatia amiloide cerebral).
  • Pessoas que fazem uso contínuo de anticoagulantes também não devem iniciar o tratamento.

Além disso, como todo medicamento, o Leqembi pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns incluem: pequenos sangramentos no cérebro (tipo ARIA-H), inchaço cerebral e dor de cabeça. A Anvisa informou que esses efeitos podem acontecer em mais de 1 em cada 10 pacientes.

As fabricantes, Biogen e Eisai, ainda não informaram quando o Leqembi estará disponível nas farmácias brasileiras. Contudo, a aprovação já representa um marco importante para a comunidade médica e para os pacientes de Alzheimer no Brasil, abrindo caminho para novas possibilidades de tratamento.