O coração do Carnaval de Salvador, na Bahia, vai bater mais forte em 2026! O Bloco Apáxes do Tororó, um verdadeiro guardião da memória indígena e afro-brasileira da festa, confirmou seu esperado retorno às ruas. Depois de um período de incertezas, o grupo promete um desfile grandioso no domingo de Carnaval, pelo tradicional Circuito Osmar (Campo Grande).
A grande novidade é que o tema escolhido para a retomada é uma linda homenagem a um dos maiores nomes da música baiana: “Carlinhos Brown – A Volta do Rei de Oyó à ‘Tribo Americana’ Apáxes do Tororó”. Mais do que um simples desfile, essa volta é vista como um poderoso gesto de resistência cultural, política e comunitária, reforçando a identidade e a força dos povos originários e afrodescendentes na folia.
Um Bloco de Luta e Pioneirismo
Fundado em 1968, o Apáxes do Tororó carrega quase seis décadas de história, marcadas por muita luta. O bloco enfrentou perseguições policiais, racismo institucional e uma certa invisibilidade do Estado, mas nunca perdeu sua essência. Pelo contrário, consolidou-se como um símbolo forte da afirmação indígena, cabocla e negra no Carnaval soteropolitano.
Ao longo dos anos, o Apáxes também foi pioneiro em várias inovações que hoje são comuns na festa. Ele foi um dos primeiros a desfilar com um trio elétrico próprio, adaptado à sua estética única. Também foi o primeiro a oferecer serviço de bar nos trios e a levar profissionais de segurança e enfermagem para o circuito, ajudando a modernizar e profissionalizar a maior festa de rua do mundo.
A Parceria Histórica com Carlinhos Brown
A ligação entre o Apáxes e Carlinhos Brown não é de agora. Na década de 1990, o artista teve um papel fundamental na revitalização do grupo. Foi ele quem sugeriu a mudança da grafia para “Apáxes”, com “X”, em uma clara referência ao axé e às línguas originárias, fortalecendo ainda mais o conceito simbólico e identitário do bloco. Em 2026, essa rica trajetória se reencontra na avenida, em um momento que será um verdadeiro ritual, reverência e celebração.
A volta do bloco acontece depois de anos difíceis, em que o Apáxes do Tororó chegou a correr o risco real de não sair. A escassez de políticas públicas e a redução de recursos para os blocos tradicionais, além das desigualdades estruturais que afetam as manifestações culturais das periferias, foram desafios enormes. Nesse cenário, o apoio de Carlinhos Brown não é apenas simbólico, mas estratégico para reacender a chama dos antigos carnavais, fortalecer a presença do Apáxes e ampliar seu impacto social.
O Que Esperar do Desfile de 2026
O desfile de 2026 promete ser uma experiência inesquecível. Haverá muita percussão, canto, dança e uma estética ritualística que remete às raízes do bloco. O público poderá ver a participação especial de coletivos indígenas das etnias Kiriri, Xukuru-Kariri, Kariri-Xocó e Tupinambá, reforçando a conexão ancestral.
Os figurinos serão inspirados nas indumentárias cerimoniais dos povos de Abya Yala (nome original das Américas) e nas referências da realeza africana de Oyó. A ideia é transformar o Circuito Osmar em um território vivo de memória, celebração e resistência, convidando a todos a mergulharem nessa rica cultura.
Como Apoiara a Reconstrução do Apáxes
Atualmente, o Apáxes do Tororó está em um processo de reconstrução e reinserção no circuito mercadológico. Essa iniciativa é liderada por Adelmo Costa, que está na Presidência, em parceria com o multiartista Caboclo de Cobre e a contribuição de João Paulo. O objetivo é fortalecer os pilares do bloco, garantir sua sustentabilidade financeira e, acima de tudo, assegurar dignidade para todos aqueles que constroem o Carnaval desde a base.
Para ajudar a viabilizar esse grandioso desfile, o bloco já colocou à venda os abadás com preços populares:
- R$ 150,00 (individual)
- R$ 250,00 (casadinha)
As vendas estão sendo feitas pela plataforma Ingresso Simples e também pelo perfil oficial do bloco no Instagram: @apaxesdotororo2026. Além da venda de abadás, o grupo busca ativamente parcerias institucionais, patrocínios e apoios culturais para financiar a participação das comunidades indígenas convidadas e garantir que todo o projeto seja realizado em sua plenitude.

