Imagine um mundo sem smartphones, carros elétricos ou turbinas de energia eólica. Parece impossível, né? Pois é, tudo isso e muito mais depende de um grupo de 17 minerais chamados terras raras. Eles são o segredo por trás da maior parte da tecnologia que usamos hoje.
E a boa notícia é que o Brasil tem um papel enorme nesse cenário. Nosso país concentra a segunda maior reserva de terras raras do mundo, perdendo apenas para a China. Mas o que realmente chama a atenção é que a Bahia vem se destacando como um dos estados mais promissores do país nesse mapa mineral tão cobiçado.
O que são as terras raras e por que valem tanto?
Os Elementos Terras Raras (ETRs) formam um grupo de 17 elementos químicos com características bem parecidas. São os 15 lantanídeos, junto com o escândio (Sc) e o ítrio (Y). Nomes como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio podem parecer complicados, mas eles são superimportantes na indústria. Eles são usados para fazer os ímãs de alto desempenho que estão em motores elétricos, turbinas de vento, robôs e equipamentos que precisam de muita precisão.
Apesar do nome, esses minerais não são tão raros assim na natureza. O que os torna estratégicos é a dificuldade de extraí-los e processá-los, além do papel central que eles desempenham no desenvolvimento tecnológico e na busca por fontes de energia limpa.
Brasil em destaque no cenário global
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra que o Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, o que representa uns 23% das reservas mundiais. Só a China nos supera, com aproximadamente 44 milhões de toneladas. Mesmo com tanto potencial, a exploração aqui ainda é pequena perto de países como China, Austrália e Vietnã, o que valoriza ainda mais nossas reservas no mercado global.
Bahia: um tesouro que emerge
Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que as principais reservas estão em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. A Bahia, em particular, ganha destaque por ter altos teores de óxidos de terras raras e projetos com grande potencial econômico.
No estado, o Complexo de Jequié se firma como uma das áreas mais estratégicas. Além de reservas de bauxita, a região tem bastante terra rara, junto com minerais como nióbio, urânio, tântalo, escândio e gálio.
- No Projeto Pelé, por exemplo, foram encontrados teores de cerca de 11,2% de TREO (óxidos de terras raras totais).
- Já no Projeto Velhinhas, da Brazilian Rare Earth, as concentrações são ainda maiores, chegando a 40,5% de TREO em algumas rochas.
Também existem áreas com areias de monazita, onde os teores podem alcançar 7,9%, mostrando o grande potencial econômico da região.
Do litoral ao interior: o Vale do Jiquiriçá no radar global
No Vale do Jiquiriçá, municípios como Ubaíra e Jiquiriçá estão no centro de uma corrida silenciosa por elementos como disprósio e térbio. Esses são considerados raros fora da Ásia e são essenciais para tecnologias de energia limpa, satélites e sistemas de defesa.
A empresa australiana Brazilian Rare Earths (BRE), através de sua subsidiária Borborema Recursos Estratégicos, anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões, com a produção prevista para começar em 2028. O governo da Bahia acompanha de perto, vendo nesse projeto uma chance de diversificar a economia e promover o desenvolvimento sustentável.
“Esses 17 elementos químicos são o ‘ouro invisível’ da economia moderna. A Bahia, com seus recursos abundantes, especialmente na região de Jequié e Vale do Jiquiriçá, passa a ter uma posição estratégica na corrida global por minerais essenciais para a tecnologia, energia limpa e inovação industrial”, explicam especialistas do setor.
Atualmente, cerca de 70% da produção mundial e 90% do refino estão concentrados na China, o que faz com que países com grandes reservas naturais ainda não exploradas, como o Brasil e a Bahia, se tornem peças-chave no tabuleiro geopolítico global.
Quais são os elementos que formam as terras raras?
Eles são divididos em leves e pesados:
- Terras raras leves: Lantânio (La), Cério (Ce), Praseodímio (Pr), Neodímio (Nd), Promécio (Pm), Samário (Sm), Európio (Eu), Escândio (Sc), Ítrio (Y).
- Terras raras pesadas: Gadolínio (Gd), Térbio (Tb), Disprósio (Dy), Hólmio (Ho), Érbio (Er), Túlio (Tm), Itérbio (Yb), Lutécio (Lu).

