Política

Caiado tenta tirar controle do PSD da Bahia de Otto Alencar com apoio de ACM Neto

Ronaldo Caiado, com apoio de ACM Neto, tentou tomar o controle do PSD na Bahia do senador Otto Alencar, numa articulação que envolvia Angelo Coronel, mas foi barrada pelo presidente nacional Gilberto Kassab, gerando crise interna no partido e frustração entre os envolvidos.
Por Redação
Caiado tenta tirar controle do PSD da Bahia de Otto Alencar com apoio de ACM Neto

Movimento visava tomar controle do partido de Otto Alencar -

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Um movimento político ousado buscou mudar o cenário do PSD na Bahia. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se filiou recentemente ao partido para buscar a presidência da República, tentou, com o apoio de ACM Neto (União Brasil), tirar o controle do PSD baiano das mãos do senador Otto Alencar. A articulação, confirmada por fontes da legenda ao Portal A TARDE, tinha como objetivo fortalecer a chapa de oposição na Bahia.

A ideia por trás dessa manobra, que internamente foi chamada de “levante” ou até “golpe”, era entregar o comando do PSD baiano ao senador Angelo Coronel. O PSD é o partido com o maior número de prefeitos na Bahia e Coronel tem demonstrado interesse em garantir sua reeleição ao Senado.

Plano de Aliança e a Chapa de Oposição

O plano detalhado previa que Coronel e o PSD se juntassem à aliança de ACM Neto. Assim, Coronel seria o candidato ao Senado na chapa de Neto, enfrentando nomes como o ministro Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT), que são da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Essa articulação também garantiria a Ronaldo Caiado um forte palanque na Bahia, com o apoio de muitos prefeitos do PSD e da influência do “clã Coronel”.

Um possível desenho para a chapa de oposição seria:

  • ACM Neto (União Brasil): Candidato ao governo da Bahia
  • João Roma (PL): Candidato ao Senado
  • Angelo Coronel (PSD): Candidato ao Senado
  • Ronaldo Caiado (PSD): Candidato à presidência com o apoio de ACM Neto

O senador Otto Alencar (PSD) confirmou a tentativa de Coronel de negociar o PSD com o núcleo nacional do partido, mas evitou usar a palavra “golpe” para descrever o movimento.

Gilberto Kassab frustra a articulação

Essa audaciosa articulação, no entanto, não conseguiu seguir adiante. Gilberto Kassab, o presidente nacional do PSD, foi quem barrou o plano. Kassab, que surpreendeu o mundo político ao receber Caiado no PSD na última terça-feira, 27, recusou a tentativa de tomar o controle da legenda na Bahia.

Fontes próximas a Kassab indicam que ele ressaltou a gratidão por Otto Alencar, que foi essencial na fundação do PSD e na garantia do excelente desempenho do partido no país. O PSD conta com 810 prefeitos eleitos em todo o Brasil, sendo 115 deles apenas na Bahia nas eleições de 2024, o que representa 27% das prefeituras do estado. Para Kassab, essa lealdade e o sucesso do partido eram mais importantes do que qualquer movimentação política momentânea.

Dura Traição e Tensão no Palácio de Ondina

Dentro do PSD baiano, aliados de Otto Alencar demonstraram grande decepção com Angelo Coronel. Muitos consideraram o episódio como uma “dura traição”.

“Eu não quero crer que isso realmente poderia acontecer”, disse um dos nomes ouvidos, mostrando o choque com a situação.

Paralelamente, Angelo Coronel também participou de uma reunião tensa com o ministro Rui Costa (PT) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) na última semana, segundo fontes ligadas ao Palácio de Ondina. Na ocasião, Coronel teria recebido a proposta de se candidatar a deputado federal, abrindo mão da reeleição no Senado. Essa movimentação abriria caminho para que Rui Costa e Jaques Wagner (ambos do PT) formassem uma “chapa puro-sangue” ao Senado. A proposta, porém, não teria agradado Coronel, gerando ainda mais tensão nas articulações para as próximas eleições.