Polícia

Capitão da PM morre na Bahia e gera comoção

A Polícia Militar da Bahia lamenta a morte do capitão Osniésio Salomão, sepultado em Salvador. A Força Invicta cobra valorização e melhores condições para policiais.
Por Redação
Capitão da PM morre na Bahia e gera comoção

Presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais da Bahia – Força Invicta, major Igor Rocha -

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A Polícia Militar da Bahia e toda a sociedade baiana estão de luto pela perda do capitão Osniésio Salomão. O oficial morreu e foi sepultado na tarde desta quinta-feira, no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador, na Bahia, rodeado por colegas de farda, familiares e representantes de associações ligadas à corporação, todos prestando suas últimas homenagens a um homem dedicado à segurança pública.

A comoção pela partida do capitão Salomão se espalhou rapidamente, e a Associação dos Oficiais Militares Estaduais da Bahia – Força Invicta – não apenas declarou luto oficial, mas também expressou sua profunda indignação. Para o major Igor Rocha, presidente da Força Invicta, a sociedade perdeu muito mais do que um policial. “Não perdemos apenas um policial militar. Perdemos um cidadão, um trabalhador, um pai de família. Perdemos um herói”, lamentou ele durante o enterro.

Luto e o apelo por valorização dos policiais

Major Igor Rocha enfatizou que os policiais que escolhem essa carreira de alto risco fazem uma escolha consciente de defender a sociedade, colocando a própria vida em jogo. Por isso, na visão da Força Invicta, eles merecem ser tratados como verdadeiros heróis, recebendo o apoio e o respeito que se vê em países mais desenvolvidos.

“São pessoas que optam por uma atividade profissional de alto risco e esperam que essa sociedade os abrace, os proteja e garanta condições dignas para que criem suas famílias. Nesse caso, duas crianças perderam o pai, perderam o seu herói. Mesmo vivendo esse luto, precisam ter condições de continuar vivendo com dignidade.”

A indignação da Força Invicta vai além do luto. O major Rocha acredita que esse sentimento deveria ser compartilhado por cada cidadão que sonha com uma sociedade mais segura. Ele cobrou dos governantes a necessidade de valorizar e tratar com dignidade os homens e mulheres que protegem a Bahia.

A realidade dos salários e o 'Contrato Social'

Um dos pontos mais criticados pelo major foi a triste realidade de muitos policiais, que precisam recorrer a horas extras ou cargos comissionados, muitas vezes dependendo de indicações políticas, apenas para complementar uma renda que deveria ser digna por si só. A situação do capitão Salomão ilustra essa falha.

“Infelizmente, no caso do capitão Salomão, ele não poderá mais fazer hora extra nem ocupar cargos. A família vai sofrer com um salário baixo e com a ausência de uma assistência que deveria ser garantida pelo contrato social”, disse Igor Rocha, destacando o impacto direto na família que perdeu seu provedor.

Além da valorização salarial, a Força Invicta defende que o combate à criminalidade exige políticas estruturais. Prender ou até mesmo eliminar criminosos não restaura a vida de um policial ou de qualquer vítima da violência. É preciso ir além, pensando em soluções mais amplas que ataquem as raízes do problema.

Apesar da necessidade de políticas abrangentes, Igor Rocha fez questão de ressaltar a importância de desestimular o crime. “Quem opta pela criminalidade precisa ter certeza de que será punido dentro dos rigores da lei. E, ao mesmo tempo, precisamos valorizar aqueles que continuam convictos de que devem defender a sociedade, atuando em áreas vulneráveis e enfrentando facções criminosas”, completou.

Para o major, o Estado tem um “contrato social” claro com seus policiais. Quando um cidadão entra na polícia e jura defender a sociedade com a própria vida, o Estado, em troca, precisa garantir um salário digno e cuidar da família em caso de morte. “Infelizmente, isso ainda não acontece na Bahia”, concluiu, deixando um apelo urgente por mudanças.