Em uma guinada importante para a segurança no trânsito, a China anunciou que vai exigir a volta de botões físicos em carros novos. A medida, que busca diminuir as distrações ao volante, pode trazer mudanças significativas para os modelos de veículos vendidos aqui no Brasil.
A partir de 1º de julho de 2027, todos os carros fabricados para o mercado chinês terão que ter controles físicos para funções consideradas essenciais. Essa decisão vem do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) e marca um contraponto à crescente tendência de interiores minimalistas, onde quase tudo é controlado por telas sensíveis ao toque.
Por que a China quer mais botões nos carros?
Nos últimos anos, muitos carros modernos têm trocado os tradicionais botões e alavancas por telas multimídia gigantes. Se por um lado isso dá um visual mais limpo e tecnológico, por outro, pode ser um perigo. Imagina ter que navegar por vários menus na tela para ligar a seta ou abaixar o vidro enquanto dirige? É exatamente essa a preocupação do governo chinês.
A ideia por trás da nova regra é simples: garantir que os motoristas não precisem tirar os olhos da estrada para realizar tarefas básicas. Ao ter botões específicos para funções importantes, o motorista consegue acioná-las de forma mais intuitiva e rápida, sem se distrair.
“A medida busca reduzir distrações ao volante e aumentar a segurança, evitando que condutores tenham que navegar por menus na central multimídia para executar tarefas simples”, explicou o governo chinês.
Entre as funções que, obrigatoriamente, deverão ter um controle físico estão:
- Acionamento das setas;
- Controle dos vidros elétricos;
- Outros comandos básicos do veículo.
Além disso, esses botões não poderão ser pequenos demais. As diretrizes chinesas determinam que eles tenham dimensões mínimas de 10 milímetros por 10 milímetros. Essa regra de tamanho existe justamente para facilitar o uso, permitindo que o motorista os encontre e acione sem esforço, mantendo o foco na via.
O impacto no mercado de carros brasileiro
Apesar de ser uma regra inicialmente para a China, essa mudança pode ter um efeito direto nos carros que chegam ao Brasil. Muitos modelos importados da China, ou aqueles desenvolvidos por lá com plataformas chinesas, seguem essa linha de interior mais clean, com poucos botões físicos e muitos comandos na tela central.
Um bom exemplo são carros elétricos como o Volvo EX30 e o Zeekr X. Nesses veículos, até ajustes simples, como o dos retrovisores, são feitos pela central multimídia. Se a regra chinesa entrar em vigor como planejado, as próximas versões desses e de outros veículos similares que vierem para o Brasil provavelmente precisarão vir com um novo layout interno, com a reinstalação de comandos físicos para as funções essenciais.
Essa movimentação da China pode sinalizar um futuro onde a praticidade e a segurança voltam a ter prioridade no design dos carros, mostrando que a tecnologia deve ser uma aliada, mas nunca um risco para quem está dirigindo.

