Política

Coronel sente peso de escolhas passadas em disputa por vaga no Senado

Senador Angelo Coronel enfrenta crise política na Bahia, prestes a perder vaga ao Senado devido à falta de engajamento na campanha de 2022 e argumentos frágeis para reeleição.
Por Redação
Coronel sente peso de escolhas passadas em disputa por vaga no Senado

Senador Angelo Coronel -

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O senador Angelo Coronel vive um momento de grande tensão política na Bahia. Ele está prestes a ser deixado de lado na corrida por uma das duas vagas ao Senado, que a chapa governista pretende preencher com nomes do próprio Partido dos Trabalhadores (PT). Essa situação, que agora se apresenta como um drama, é vista por muitos como o resultado de suas próprias decisões tomadas nas últimas eleições estaduais de 2022.

A 'semente mal plantada' de 2022

No universo da política, cada ação é uma semente plantada, e Coronel, ao que parece, escolheu um terreno infértil para a sua em 2022. Com um mandato de oito anos no Congresso, o senador preferiu assistir de longe o empenho de seu grupo político, sem se envolver de corpo e alma na campanha. Ele não fez um esforço visível para mostrar que estava, de fato, ao lado de seus aliados. Essa postura, segundo fontes, chamou atenção de muitos na época.

Seu comportamento foi descrito como tímido, quase envergonhado. Mesmo entre políticos da base, era comum ouvir conversas sobre a atitude distante de Coronel, que parecia não entender a importância de uma campanha eleitoral. Para ser justo, ele esteve presente na oficialização da chapa, mas sua participação não gerou impacto. Permaneceu calado, sem fazer questão de atrair a atenção, sem discursos marcantes. Muitos dizem que Coronel ‘hibernou’, acreditando que essa era a atitude correta, mesmo que isso gerasse questionamentos futuros.

Distanciamento e a atuação no Senado

Durante quase quatro anos, Angelo Coronel se manteve afastado das discussões políticas de seu grupo. Raras vezes falou sobre seu partido, seus prefeitos aliados ou os 'cardeais' da política. No Senado, sua atuação não teve o mesmo destaque de colegas de bancada como Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), que diversas vezes assumiram a linha de frente para defender o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os argumentos de Coronel e por que não convencem

Agora, com as eleições para o Senado se aproximando, a conta chegou. O senador tem se esforçado e reivindicado seu espaço na chapa, mas seus argumentos não parecem suficientes para convencer Jaques Wagner ou o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), a abrirem mão de uma vaga para ele. Vejamos os principais pontos levantados por Coronel e as fragilidades apontadas:

  • O direito de renovar o mandato: Coronel argumenta que tem o direito de tentar a reeleição. No entanto, é sabido que sua vitória para o Senado em 2018 foi construída com forte apoio petista. Um petista chegou a descrever o tom ‘militante’ de Rui Costa nos últimos dias daquela campanha, pedindo votos para o aliado, o que foi crucial para a eleição de Coronel. Sem esse ‘abraço’ petista, é quase certo que ele não teria chegado perto de ser eleito.
  • O número de prefeitos aliados: Ele também usa o número de prefeitos que supostamente o apoiam como trunfo. Mas a realidade é que esses poucos prefeitos poderiam facilmente ‘soltar sua mão’ caso Rui Costa decida concorrer. Prefeitos buscam segurança e favoritismo, e o ministro-chefe da Casa Civil, com seu peso político, pode oferecer isso sem riscos.
  • A força do PSD: O argumento mais fraco, segundo analistas, é o de que seu partido, o PSD, deveria apoiá-lo. No entanto, quem realmente comanda o PSD na Bahia é Otto Alencar, que já deixou claro que não vai abandonar seu grupo político para bancar uma ‘aventura’ do correligionário. Esse posicionamento de Otto enterra de vez os planos de Coronel.

Qual o próximo passo para Coronel?

Com esses cenários, Coronel agora tem duas opções principais: aceitar que não será candidato à reeleição e tentar negociar vantagens para se manter relevante no cenário político, ou romper com o grupo e ir para a oposição. Essa última opção, no entanto, dificultaria muito sua busca por uma renovação de mandato, podendo levá-lo a uma grande derrota.

Uma prévia do que está por vir pode ser vista na tradicional Lavagem do Bonfim, que acontece nesta quinta-feira, 15 de fevereiro. Coronel já anunciou sua participação. Resta saber se ele, finalmente, vai ‘vestir a camisa’ do time do qual ainda faz parte ou se preferirá se isolar no cortejo. Há até a especulação de que ele possa ser isolado pelos próprios aliados na caminhada até a Colina Sagrada, um sinal claro de que não é mais prioridade e que pagou um preço alto por suas escolhas recentes.