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Didá leva força feminina e legado afro para o Circuito Osmar

A Banda Didá desfila no Circuito Osmar em Salvador, levando a força da mulher negra, samba, reggae e funk, celebrando a cultura afro-brasileira e a luta contra a violência de gênero.
Por Redação
Didá leva força feminina e legado afro para o Circuito Osmar

Banda leva música, identidade e resistência para as avenidas -

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A energia contagiante da Banda Didá está pronta para tomar as ruas do Circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, na Bahia, nesta segunda-feira, 16. Formado exclusivamente por mulheres, o grupo promete um desfile marcante que mistura a riqueza do samba, a batida do reggae e a pegada do funk, celebrando a cultura afro-brasileira e a luta diária das mulheres negras.

Mais que um simples desfile de Carnaval, a Didá transforma a avenida em um palco de resistência e identidade. O tema escolhido para este ano faz uma homenagem aos movimentos culturais que surgiram como importantes ferramentas de transformação social, ressaltando a força coletiva e a visibilidade do povo preto.

“A Didá, que é uma banda exclusivamente formada por mulheres, este ano vem para a Avenida trazendo o tema 'O samba, reggae e o funk marcam o encontro no Pelô', unindo esses dois movimentos políticos e sociais que falam do povo preto, que trazem as nossas histórias para a rua, para o mundo, e que trazem a nossa identidade e que colocam a gente em um lugar de visibilidade através da nossa ótica”, explica Madalena Gomes, cantora do grupo.

O Pelourinho, considerado o berço histórico da cultura afro em Salvador, é o ponto de partida simbólico para essa fusão de ritmos. Ele representa a ancestralidade, a resistência e a afirmação política que a Didá carrega em cada nota e cada passo. Colocar o bloco na rua, para Madalena, é um verdadeiro ato de perseverança.

“A Didá vem resistindo há anos. Vem resistindo há anos para colocar seu bloco na rua. Infelizmente, mais uma vez, com poucos apoiadores, poucos patrocínios. Mas, o nosso trabalho acontece durante o ano inteiro, para que a gente venha para as ruas trazer esse espetáculo maravilhoso, valorizando as mulheres, valorizando as nossas crianças, valorizando a nossa juventude, colocando aí para o mundo, mantendo firme o legado de Neguinho Samba”, lembra a cantora.

Essa dedicação constante também se traduz na manutenção do legado de Neguinho do Samba, fundador da Didá e um dos nomes mais importantes do samba-reggae baiano. O grupo atua o ano inteiro com oficinas de formação musical e ações sociais, beneficiando principalmente mulheres e jovens, perpetuando o trabalho iniciado por ele.

Além da festa e da valorização cultural, a Didá aproveita o espaço do Carnaval para levantar uma bandeira crucial: o enfrentamento à violência de gênero. A mensagem é clara e potente.

“Com certeza, as mulheres precisam estar juntas, fortalecidas em coletivo. É importantíssimo para que a gente se fortaleça e entenda que não estamos sozinhas. A gente precisa dar um basta nessa violência, um basta contra o feminicídio e ajudar em todos os espaços que passam atrás dessa mensagem”, reforça Madalena.

Assim, entre o som dos tambores, a graça da dança e a força das vozes, a Banda Didá reafirma que ocupar a avenida é muito mais do que desfilar. É ocupar um espaço histórico de poder, dar visibilidade a quem muitas vezes é invisibilizado e fortalecer a resistência cultural e social no coração do Carnaval de Salvador.