Polícia

EUA: Documentos do FBI Revelam Acusação de Abuso Sexual Contra Trump

O Departamento de Justiça dos EUA liberou depoimentos do FBI onde uma mulher detalha acusações de abuso sexual contra Donald Trump, ligadas ao caso Jeffrey Epstein.
Por Redação
EUA: Documentos do FBI Revelam Acusação de Abuso Sexual Contra Trump

Trump foi acusado de abuso sexual em documentos ligados ao caso Epstein -

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (6) novos documentos do FBI que trazem à tona depoimentos chocantes. Entre as páginas liberadas, está o relato de uma mulher que acusa Donald Trump, ex-presidente do país, de agressão sexual. Estes arquivos eram parte do vasto material ligado a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, e haviam sido mantidos em segredo por um tempo, gerando muitas dúvidas e críticas sobre a transparência do processo.

Depoimentos Detalham Acusações Graves

Inicialmente, as autoridades afirmaram que os documentos retidos eram apenas cópias de outros ou já tinham sido divulgados. No entanto, uma análise mais profunda mostrou que não era bem assim. A mulher, que preferiu não ser identificada, contou aos agentes do FBI que sofreu abusos físicos e sexuais repetidamente por parte de Jeffrey Epstein décadas atrás, quando tinha apenas 13 anos.

Mas a revelação mais forte veio em um dos depoimentos, onde ela descreve um encontro perturbador com Donald Trump. Segundo seu relato, Epstein a levou para Nova York e Nova Jersey quando ela tinha entre 13 e 15 anos. Em um “prédio muito alto”, ela foi apresentada a Trump. A mulher descreveu que, em certo momento, Trump pediu que todos saíssem da sala e então:

“Disse algo como: ‘Deixe-me ensinar a vocês como as garotinhas devem se comportar’.”

Em seguida, conforme o depoimento, ele teria aberto o zíper da calça e colocado a cabeça dela “em seu pênis”. A mulher relatou que reagiu mordendo Trump, que então a agrediu e disse algo como:

“Tirem essa vadiazinha daqui.”

Na mesma entrevista, a mulher disse aos agentes que ouviu Trump e Epstein conversando sobre como o financista chantageava pessoas. Ela também afirmou ter escutado Trump “falando sobre como lavava dinheiro em seus cassinos”.

Omissão, Ameaças e Críticas à Justiça

A história da mulher envolveu quatro entrevistas com o FBI. Curiosamente, apenas uma delas, realizada em julho de 2019, estava disponível no banco de dados do Departamento de Justiça divulgado em janeiro, e nela, a mulher não mencionava Trump. Os arquivos liberados agora incluem as outras três entrevistas, feitas em agosto e outubro de 2019, que trazem os detalhes das acusações contra o ex-presidente e outros amigos de Epstein.

Em um dos depoimentos posteriores, a mulher relatou ter recebido telefonemas ameaçadores e passado por incidentes em que “quase foi atropelada” por carros, que ela acreditava estarem ligados a Epstein ou Trump. Na quarta e última entrevista, a mulher estava sem advogado, sentiu-se desconfortável sendo gravada e chegou a questionar a utilidade de seus relatos.

Até o momento, não ficou claro o que aconteceu com a investigação do FBI sobre essas acusações. Um e-mail trocado entre agentes, incluído nos arquivos, menciona uma “vítima identificada que alegou ter sofrido abuso de Trump, mas acabou se recusando a cooperar”, sem especificar se era a mesma pessoa.

A falta desses documentos importantes gerou muitas críticas de políticos e vítimas, que questionaram se o governo Trump havia deixado de cumprir sua responsabilidade legal. A Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, aprovada em novembro pelo Congresso, exige a divulgação de todos os arquivos de investigação do caso.

O próprio Departamento de Justiça reconheceu que, além desses memorandos do FBI, cerca de uma dúzia de outros documentos haviam sido “codificados incorretamente como duplicados”. Em meio a tudo isso, Trump nega qualquer irregularidade, afirmando que os arquivos de Epstein o “inocentam totalmente”.

Os funcionários do Departamento de Justiça também foram criticados pela forma como lidaram com os arquivos, incluindo edições que expuseram dezenas de vítimas e, inicialmente, esconderam nomes de homens importantes. Apenas esta semana o departamento precisou republicar milhares de documentos que haviam sido retirados do ar, depois de descobrir que um lote deles continha muitas imagens de nudez.