Igor Freitas, filho do famoso ex-boxeador Acelino “Popó” Freitas, veio a público para rebater as acusações feitas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). O empresário foi denunciado por suspeita de participar de um esquema que aliciava jogadores para manipular resultados em partidas do Campeonato Brasileiro. A defesa de Igor garantiu que ele é inocente e que vai esclarecer os fatos.
O advogado de Igor, Igor José Ogar, foi quem repassou a nota de defesa ao portal Leo Dias neste sábado, 7. No comunicado, a defesa deixou claro que “desde já, a defesa rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente”. Traduzindo, eles acreditam que as acusações são infundadas e sem provas concretas. Além disso, a defesa prometeu que vai apresentar todos os esclarecimentos necessários para mostrar a inocência do empresário.
Quem mais foi denunciado?
Além de Igor Freitas, o Ministério Público também denunciou outras duas pessoas. São elas:
- Rodrigo Rossi: Apontado como sócio de Igor Freitas no esquema.
- Raphael Ribeiro: Também suspeito de envolvimento na manipulação.
Os três são investigados por fazerem parte de um grupo que aliciava atletas para manipular resultados nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro. O objetivo, segundo a denúncia, era lucrar em plataformas de apostas esportivas com resultados combinados.
Como funcionava o esquema de aliciamento?
De acordo com documentos analisados pelo ge, Igor Freitas era quem fazia o primeiro contato com os jogadores. Ele usava o Instagram ou o WhatsApp e se apresentava de várias formas. Ele dizia ser “filho de Popó”, um “empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional”, e que estava “atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias”.
Depois dessa primeira abordagem, Igor repassava o contato dos jogadores para Rodrigo Rossi, que continuava as conversas. Nas mensagens, Igor descrevia Rodrigo como alguém que trabalhava “com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”.
O caso do jogador Reinaldo
Um dos atletas que teria sido procurado pelo grupo foi o lateral-esquerdo Reinaldo, que joga no Mirassol. Em agosto de 2025, o jogador recebeu mensagens e um áudio de Rodrigo Rossi pelo WhatsApp. Após o contato, o jogador foi bem direto na sua resposta:
“Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão.”
A investigação aponta que houve outras tentativas de contato com atletas de clubes das Séries B e C do Campeonato Brasileiro. Em uma das conversas que a polícia conseguiu interceptar, Raphael, um dos denunciados, teria orientado Rodrigo a “feche os 2 do Goiás e 1 do Sport”, indicando a intenção de aliciar mais jogadores.
Conexão com a 'Operação Derby'
Essa não é a primeira vez que os três suspeitos aparecem em investigações. Eles já tinham sido alvo de uma outra operação, chamada “Operação Derby”, que foi lançada em setembro de 2025. Naquela ocasião, a operação investigou uma oferta de R$ 15 mil para pelo menos três jogadores do Londrina, com o intuito de que eles recebessem cartões amarelos de propósito durante partidas da Série C do Campeonato Brasileiro do ano anterior.
O Ministério Público do Paraná ainda afirmou que surgiram desentendimentos entre os investigados por causa de dinheiro. O órgão entende que existe uma “considerável probabilidade de que tais valores provenham de atividades ilícitas, especificamente relacionadas ao aliciamento de atletas e à manipulação de resultados, visando à obtenção de lucros em plataformas de apostas esportivas”. Ou seja, a suspeita é que o dinheiro envolvido vinha da manipulação de jogos para ganhar em apostas.

