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Ford oferece salários milionários a mecânicos nos EUA por escassez

A falta de mecânicos especializados leva concessionárias Ford nos EUA a oferecer salários anuais de até R$ 860 mil para atrair e reter profissionais qualificados.
Por Redação
Ford oferece salários milionários a mecânicos nos EUA por escassez

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A falta de mecânicos qualificados virou um problema sério para as concessionárias da Ford nos Estados Unidos. Para conseguir segurar os profissionais mais experientes, que conseguem fazer reparos complexos em tempo recorde, as empresas estão abrindo o bolso e oferecendo salários que podem chegar a quase R$ 860 mil por ano.

Essa verdadeira caça aos talentos se deve à escassez de mão de obra especializada, especialmente para os serviços mais difíceis. Quem tem a habilidade de trabalhar rápido e com precisão acaba sendo muito valorizado.

Um exemplo de sucesso: O mestre Ted Hummel

Um dos destaques dessa situação é Ted Hummel, um mecânico de 39 anos que virou referência na troca de transmissões. Trabalhando em uma concessionária em Ohio, nos Estados Unidos, ele é conhecido por sua agilidade em procedimentos pesados, como substituir câmbios que pesam por volta de 140 quilos. Seu título de “Senior Master” é um reconhecimento da sua especialização.

Hummel se beneficia de um sistema de pagamento chamado “flat rate”. Nele, o mecânico é pago pelo tempo padrão que a montadora estima para cada tarefa, e não pelas horas que ele realmente gasta. Ou seja, se um serviço que deveria levar oito horas é feito em quatro por um profissional superqualificado, ele recebe o valor integral das oito horas. Isso permite que os mais rápidos e experientes turbinem seus ganhos. Em 2025, a projeção é que Hummel chegue a faturar cerca de US$ 160 mil no ano, o equivalente aos R$ 860 mil.

O cenário geral e os desafios da profissão

Apesar dos salários impressionantes para os especialistas, a realidade da maioria dos mecânicos é bem diferente. O CEO da Ford, Jim Farley, revelou que existem cerca de 5 mil vagas abertas nas concessionárias da marca nos Estados Unidos. Ele explicou que alguns desses cargos podem pagar até US$ 120 mil por ano, mas exigem pelo menos cinco anos de formação e muita prática.

Os custos de manutenção de veículos aumentaram 59% na última década, mas os salários médios dos mecânicos cresceram apenas 34% no mesmo período. Isso significa que, enquanto o serviço fica mais caro para o consumidor, a renda da maioria dos profissionais não acompanha esse aumento.

Altos custos de formação e o peso do trabalho

Para chegar ao nível de excelência de Ted Hummel, o investimento é alto. Ele gastou cerca de R$ 161 mil em cursos e treinamentos. Além disso, os mecânicos precisam comprar suas próprias ferramentas, muitas delas específicas e caríssimas, que podem custar milhares de reais e são frequentemente adquiridas por meio de financiamento. Esse gasto inicial acaba afastando muitos jovens da profissão.

O trabalho também cobra um preço do corpo. Mexer com peças pesadas e fazer movimentos repetitivos pode causar lesões sérias e encurtar a carreira dos profissionais. A reportagem cita o caso de um colega de Hummel que teve que largar a profissão depois de passar por cirurgias na coluna, pois não conseguia mais manter o ritmo de trabalho exigido. Assim, a busca por salários altos esconde uma rotina de muito esforço e dedicação.