Um protesto de familiares de detentos em busca de melhores condições no Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia, terminou em momentos de pânico nesta segunda-feira (2). Manifestantes, que bloqueavam parcialmente a Rua Olney Alberto São Paulo, no bairro Limoeiro, foram surpreendidos por um motorista que avançou com o carro contra o grupo e, em seguida, atirou para o alto.
A manifestação tinha como objetivo principal chamar a atenção para a dignidade e as condições de cumprimento de pena dos internos. Mulheres, em sua maioria mães e esposas de detentos, estavam no local expressando suas preocupações e reivindicações de forma pacífica.
Motorista fura bloqueio e causa terror
A tranquilidade do ato foi bruscamente interrompida quando um motorista decidiu furar o bloqueio feito pelos manifestantes. Em um ato de desespero e para tentar impedir o avanço do veículo, algumas mulheres bateram no capô do carro. A reação do condutor foi imediata e assustadora: ele atirou várias vezes para o alto, transformando o protesto em um cenário de terror.
Os disparos causaram um grande tumulto, com gritos de desespero e muita correria. A cena de pânico foi tão intensa que uma das mulheres presentes, em estado de choque, precisou ser amparada e socorrida por outras manifestantes.
Este tipo de protesto, feito por familiares, é comum em diversas regiões do Brasil, onde a condição dos presídios e o tratamento dos detentos são questões recorrentes. As famílias buscam visibilidade para suas causas, muitas vezes enfrentando desafios e riscos para serem ouvidas.
Caso não foi registrado pela Polícia Civil
Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre a identidade do motorista responsável pelos tiros. O mais preocupante, segundo a apuração, é que a Polícia Civil informou que o caso sequer foi registrado. Essa falta de registro levanta sérias dúvidas sobre a abertura de uma investigação e a responsabilização do autor dos disparos, além de deixar as famílias dos detentos ainda mais vulneráveis e sem respostas.
"Foi um terror. A gente só queria chamar a atenção para nossos familiares lá dentro e fomos recebidos com tiros. É uma falta de respeito enorme", desabafou uma das manifestantes, que preferiu não se identificar.
A situação reforça a importância da segurança em atos públicos e a necessidade de que denúncias de violência, como essa, sejam devidamente apuradas pelas autoridades competentes para garantir a justiça e a proteção dos cidadãos que exercem seu direito de manifestação.

