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IA brasileira identifica sinais de depressão analisando a voz

Pesquisadores brasileiros criam IA que detecta sinais de depressão pela voz, com alta precisão, prometendo democratizar o acesso à saúde mental.
Por Redação
IA brasileira identifica sinais de depressão analisando a voz

O estudo baseou-se em áudios simples enviados pelo WhatsApp -

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tecnologia inovadora que pode revolucionar a forma como detectamos e monitoramos a saúde mental. A novidade é que uma inteligência artificial (IA) consegue identificar sinais de depressão simplesmente analisando as características da voz de uma pessoa, sem precisar entender o que ela está dizendo.

Essa pesquisa importante, liderada pelo psiquiatra Ricardo Uchida, que é professor da Faculdade Santa Casa de São Paulo, foi divulgada na renomada revista PLOS Mental Health. O estudo usou áudios bem simples, como relatos do dia a dia ou contagens de um a dez, enviados pelo WhatsApp, para treinar a IA.

Como a inteligência artificial ouve a depressão?

A grande sacada dessa tecnologia está em focar no “como” a pessoa fala, e não no “que” ela diz. A IA foi treinada para pegar pequenas variações na voz que o nosso ouvido humano, muitas vezes, nem percebe. Os modelos da inteligência artificial ficam de olho em:

  • Ritmo: A fala de quem está com depressão tende a ficar mais lenta, como se as palavras tivessem um peso maior.
  • Entonação: A voz pode se tornar mais monótona, sem muitas variações no tom, perdendo aquela “melodia” natural.
  • Intensidade: Mudanças na força com que a pessoa emite o som, que podem dar pistas sobre o estado emocional.

Os testes mostraram resultados impressionantes. A tecnologia acertou o diagnóstico em 91,9% das mulheres e em 78,3% dos homens. Essa diferença entre os gêneros pode estar ligada a características naturais da voz, ao fato de que a depressão é mais diagnosticada em mulheres ou ao tamanho das amostras de cada grupo no estudo. Os pesquisadores já planejam novas etapas para entender melhor essas diferenças.

Um apoio valioso, mas não um substituto para o médico

É fundamental deixar claro: essa ferramenta não chega para tomar o lugar do médico. A ideia é que a IA funcione como um sistema de triagem, ajudando a identificar quem precisa de ajuda e dando um suporte extra ao acompanhamento clínico. Enquanto a inteligência artificial busca padrões estatísticos, um médico analisa a história de vida completa da pessoa, seu contexto social e os sintomas que persistem, oferecendo um cuidado muito mais humano e completo.

Impacto na saúde de todos

Dados do Vigitel mostram que os diagnósticos de depressão no Brasil aumentaram 33% entre 2020 e 2024. Diante desse cenário, ter ferramentas baratas e acessíveis é essencial. Essa tecnologia tem o potencial de tornar o rastreamento da depressão mais democrático, especialmente em lugares onde faltam especialistas. Assim, quem precisa de ajuda pode ser encaminhado rapidamente para o tratamento adequado, melhorando a vida de muitas pessoas.