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Inteligência artificial promete revolucionar reciclagem de lixo eletrônico

A IA pode tornar a reciclagem de eletrônicos mais rápida e segura, protegendo trabalhadores e recuperando metais preciosos, transformando lixo em lucro.
Por Redação
Inteligência artificial promete revolucionar reciclagem de lixo eletrônico

Lixo eletrônico pode ser reciclado com a ajuda da IA — Foto: Reprodução/Pexels

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A montanha de lixo eletrônico não para de crescer, mas uma nova esperança surge no horizonte: a Inteligência Artificial (IA). Essa tecnologia, que já causa preocupações com seu próprio consumo de recursos, agora promete transformar a reciclagem de aparelhos velhos em algo mais rápido, seguro e, principalmente, lucrativo. O objetivo é tirar o que há de valor do lixo sem expor pessoas a riscos.

No Brasil, a situação do lixo eletrônico é alarmante. O país lidera a produção desses resíduos na América do Sul, gerando impressionantes 2,4 milhões de toneladas por ano. É como jogar fora bilhões de dólares em recursos naturais, já que apenas 3% desse material é reciclado. Hoje, a maior parte do processo de reciclagem é feita de forma manual, o que limita a escala e torna tudo mais demorado e caro.

Robôs aprendem a desmontar eletrônicos com precisão

A ideia de usar a IA para desmantelar aparelhos eletrônicos vem ganhando força. O doutor em engenharia e especialista em robótica, José Francisco Saenz, contou ao portal Terra que já é possível ensinar robôs a separar componentes e reaproveitar materiais de forma muito eficiente. O mais importante é que isso protege os trabalhadores de substâncias tóxicas, como mercúrio e chumbo, que estão presentes nesses equipamentos.

Saenz participou de um projeto na Alemanha, junto ao Instituto Fraunhofer para Operação e Automação de Fábricas em Magdeburg. Em 2019, eles tentaram automatizar a reciclagem com robôs, mas o sucesso não veio de imediato. O especialista, porém, não desistiu e dedicou dois anos e meio ao projeto, mesmo sem investidores. Agora, ele garante que é possível ensinar robôs a desmontar vários tipos de aparelhos, tornando a reciclagem mais rápida e rentável.

O sistema atual, assistido por IA, já consegue desmontar computadores de mesa antigos usando um braço robótico, uma caixa de ferramentas específica e uma câmera. A expectativa é que, no futuro, essa tecnologia possa desmontar celulares, laptops, eletrodomésticos e até baterias de carros elétricos.

O tesouro escondido no lixo e iniciativas brasileiras

Muitos não sabem, mas o lixo eletrônico é um verdadeiro tesouro. Celulares e notebooks descartados contêm metais preciosos e raros, como ouro, prata, cobalto, lítio, manganês e níquel. Um único iPhone, por exemplo, tem ouro, prata, paládio e até platina, além de metais comuns como alumínio e cobre. Embora em pequenas quantidades por aparelho, o volume é gigantesco.

Com mais de 5,78 bilhões de usuários de telefone no mundo, a empresa britânica Astute Groupe calcula que uma tonelada de smartphones velhos rende mais ouro do que uma tonelada de minério bruto. Ou seja, estamos jogando fora bilhões de dólares em recursos que poderiam ser reutilizados.

Para mudar esse cenário, iniciativas como a Circoola Brasil, no Rio de Janeiro, estão usando a tecnologia a seu favor. O projeto carioca foca na logística circular, priorizando o reuso, reparo e reciclagem de eletrônicos. Com o apoio da inteligência artificial, eles coletam produtos nas casas das pessoas, identificam os materiais, categorizam os resíduos, organizam a rota e os encaminham para recicladores certificados.

“As pessoas querem descartar corretamente, mas por falta de informações corretas, não sabem onde levar o lixo ou se aquele produto pode ser reciclado.”

– Lucas Palazzo, diretor de operações da Circoola Brasil, em entrevista ao G1.

A Circoola Brasil torna o desmonte e a reutilização mais seguros e eficientes, ajudando a indústria da reciclagem a ser mais lucrativa e a usar melhor os recursos naturais. Com a ajuda da IA, o futuro da reciclagem promete ser muito mais brilhante e sustentável.