Um laudo médico detalhado, preparado por peritos da Polícia Federal (PF), trouxe uma importante atualização sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, cuja divulgação foi autorizada nesta sexta-feira (6) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que Bolsonaro não precisa ser transferido para um hospital, mas ressalta a necessidade de aprimorar os cuidados médicos para evitar complicações sérias, como um infarto.
A avaliação, feita por três médicos da PF, incluiu um exame físico completo e a análise de diversos exames laboratoriais e de imagem fornecidos pela defesa do ex-presidente. A principal conclusão é que, embora Bolsonaro seja portador de sete problemas crônicos de saúde,
tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar, segundo trecho do laudo.
Saúde de Bolsonaro: Diagnósticos e Riscos
Os peritos examinaram Bolsonaro em 20 de janeiro, na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília, no Distrito Federal. É lá que o ex-presidente cumpre sua pena. O relatório da PF detalha os problemas de saúde crônicos identificados:
- Hipertensão arterial sistêmica: conhecida como pressão alta;
- Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave: distúrbio que causa interrupções na respiração durante o sono;
- Obesidade clínica: excesso de peso que pode levar a outros problemas de saúde;
- Aterosclerose sistêmica: acúmulo de placas de gordura nas artérias;
- Doença do refluxo gastroesofágico: condição que provoca a volta de conteúdo do estômago para o esôfago;
- Queratose actínica: lesões de pele pré-cancerígenas causadas pela exposição ao sol;
- Aderências (bridas) intra-abdominais: cicatrizes internas resultantes de cirurgias anteriores.
Apesar desses problemas, o laudo apontou que Bolsonaro
não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia [falta de prazer]durante a entrevista com os médicos, mesmo que pudesse demonstrar certo abatimento. O relatório também descartou doenças como depressão ou pneumonia aspirativa.
Recomendações para Cuidado e Segurança
Mesmo não indicando a necessidade de hospitalização, os peritos foram claros:
é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares. Para isso, eles fizeram quatro recomendações importantes para melhorar as condições de saúde e o ambiente em que o ex-presidente está detido:
- Investigação Neurológica: É fundamental investigar e tratar um quadro neurológico que está em curso. Enquanto uma avaliação especializada não acontece, sugeriram medidas provisórias como a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho, campainhas de pânico ou outros dispositivos de monitoramento, e acompanhamento contínuo nas áreas comuns.
- Acompanhamento Nutricional: Recomendaram avaliação e prescrição de dieta por especialistas, focadas nas suas comorbidades.
- Atividade Física: Incentivo à prática regular de exercícios físicos aeróbicos e de resistência, sempre respeitando a tolerância clínica.
- Fisioterapia Contínua: Tratamento fisioterápico constante, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural.
Próximos Passos no Processo
A solicitação deste laudo-médico partiu do próprio ministro Alexandre de Moraes em 15 de janeiro, quando Bolsonaro foi transferido de uma sala na Superintendência da PF para a Papudinha. Com a divulgação do relatório, Moraes agora deu um prazo de cinco dias para que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentem suas manifestações.
Após esse período, o ministro vai reavaliar os pedidos reiterados dos advogados do ex-presidente para que lhe seja concedida prisão domiciliar por questões humanitárias, considerando sua idade e estado de saúde. Não há um prazo definido para que o ministro tome uma nova decisão sobre o caso.

