Política

Lula e Trump conversam sobre paz em Gaza e crise venezuelana

Lula e Trump discutiram temas cruciais como a crise venezuelana, a segurança nas fronteiras, o convite ao Conselho da Paz para Gaza e as tarifas econômicas americanas, sinalizando uma visita de Lula aos EUA.
Por Redação
Lula e Trump conversam sobre paz em Gaza e crise venezuelana

Diálogo ocorre semanas após captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA -

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Nesta segunda-feira, 26, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, teve uma conversa telefônica importante com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois líderes conversaram sobre os rumos da relação entre Brasil e EUA e as grandes mudanças que estão acontecendo no cenário mundial.

Um dos temas centrais foi a crise na Venezuela. Lula e Trump trocaram impressões sobre o governo interino de Delcy Rodríguez. Lula expressou sua preocupação com a estabilidade das fronteiras brasileiras e a necessidade de garantir o bem-estar da população venezuelana, especialmente depois da ação dos EUA em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Aliás, a prisão de Maduro, que aconteceu semanas antes da ligação e que foi feita por forças dos EUA, mudou muito o equilíbrio de poder na América do Sul. Pensando nisso, o Brasil propôs uma parceria com o Departamento de Estado americano para bloquear bens e intensificar a luta contra a lavagem de dinheiro, um assunto que se tornou ainda mais urgente após Maduro ter sido preso em Nova York por tráfico de drogas.

Conselho da Paz para Gaza: Lula adota cautela

Outro assunto delicado na conversa foi o convite de Trump para que o Brasil faça parte do "Conselho da Paz". Esse grupo, liderado pelos EUA, tem como objetivo a reconstrução de Gaza, mas tem recebido críticas por diminuir a importância das Nações Unidas.

Lula agiu com cuidado, mas buscando colaborar. Ele deixou claro que o Brasil só aceita participar se dois pontos forem atendidos:

  • Que o Conselho foque apenas em ajuda humanitária e na reconstrução de Gaza;
  • Que o plano inclua, de forma oficial, a criação de um Estado Palestino.

Enquanto países como Argentina e Arábia Saudita já aceitaram o convite, que exige um pagamento de 1 bilhão de dólares para ser membro fixo, a França e a Noruega rejeitaram a proposta. A recusa francesa, inclusive, gerou ameaças de Trump de cobrar taxas de até 200% sobre vinhos e champanhes da França.

Economia e tarifas: um olhar para o futuro

No campo econômico, o presidente Lula e Trump discutiram o "tarifaço" americano. Embora as taxas para alguns produtos agrícolas brasileiros tenham diminuído recentemente, passando de 50% para 10%, o café do Brasil ainda sofre com impostos altos.

Trump sugeriu que o crescimento conjunto das duas maiores economias das Américas é benéfico para todo o continente, mostrando que está aberto para conversar de novo sobre esses temas.

O Palácio do Planalto já confirmou que Lula deve viajar para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano. Essa visita oficial importante acontecerá logo depois dos compromissos do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, em fevereiro.