O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem marcado presença constante na Bahia, e isso não é por acaso. Com a previsão de sua participação no Carnaval de Salvador, na Bahia, em 2026, no Camarote do Governo do Estado no Campo Grande, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, a estratégia política para as próximas eleições fica cada vez mais evidente.
A Bahia foi, em 2022, um dos pilares que garantiu a vitória de Lula na eleição presidencial. O estado se destacou por dar ao petista a maior diferença de votos absolutos contra Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Enquanto Lula conquistou impressionantes 6.097.815 votos, Bolsonaro ficou com 2.357.028, uma vantagem de mais de 3,7 milhões de votos para o atual presidente.
Essa performance baiana foi crucial para compensar os resultados de outros grandes colégios eleitorais. Em São Paulo, por exemplo, Bolsonaro abriu uma frente de quase 2,7 milhões de votos, e no Rio de Janeiro, a diferença foi de mais de 1,2 milhão a seu favor. Somando esses dois estados, o ex-presidente tinha uma vantagem considerável. No entanto, a força de Lula na Bahia, aliada a um empate técnico em Minas Gerais (o terceiro maior colégio eleitoral, onde Lula teve uma leve vantagem), praticamente anulou essa dianteira.
A intensa agenda de Lula no estado reforça essa importância. Em 2026, por exemplo, esta será a terceira vez que o presidente visita Salvador. Ele já esteve presente no encontro nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no fim de janeiro, e depois para a entrega de ações na área de saúde, além de participar da festa de 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT). E as visitas não param por aí: existe a expectativa de uma quarta ida a Salvador em março, para dar a ordem de serviço para a expansão do metrô até o Campo Grande.
A conexão de Lula com a Bahia não beneficia apenas sua própria estratégia, mas também é vista como fundamental para o cenário político local. Um bom desempenho do presidente nas urnas baianas pode ser decisivo para a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que, segundo pesquisas recentes, aparece atrás de seu principal adversário, ACM Neto (União Brasil).
“De maneira geral, a presença do ministro Rui Costa no Planalto é o reconhecimento estratégico de que Lula precisa da Bahia e o governador Jerônimo Rodrigues depende da maré favorável ao presidente. A eleição estadual tende a ser o termômetro do lulismo no quarto maior colégio eleitoral do país”, analisou o cientista político e pesquisador Cláudio André.
Essa dependência mútua entre o presidente e o estado se traduz na presença de vários baianos em posições-chave na Esplanada dos Ministérios, mostrando que a Bahia não é apenas um local de visita, mas um ponto estratégico vital para o futuro político do governo federal e do PT.

