Polícia

Mãe é condenada por homotransfobia e racismo contra filha em Roraima

Mãe é condenada a 5 anos de prisão em Roraima por agredir e ofender a filha adolescente. A jovem sofria com ataques de homotransfobia e racismo da própria mãe.
Por Redação
Mãe é condenada por homotransfobia e racismo contra filha em Roraima

Abusador produzia material em mídia contendo abuso contra a enteada -

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Uma mãe de 46 anos foi condenada a cinco anos de prisão em Roraima, após ser considerada culpada pelos crimes de lesão corporal e racismo contra a própria filha, uma adolescente de 17 anos. O caso, que se tornou público na última segunda-feira (12), revelou uma triste história de preconceito e violência dentro de casa.

De acordo com a Polícia Civil do estado, as agressões, tanto físicas quanto verbais, não eram aleatórias. Elas eram motivadas por um profundo preconceito relacionado à identidade de gênero e à raça da jovem. A filha, que nasceu designada como sexo masculino, se reconhece e se identifica como mulher, sendo uma adolescente transgênero.

Violência constante e a negação da identidade

As investigações, lideradas pelo delegado Matheus Rezende, mostraram que a mãe mantinha uma conduta agressiva por vários meses. A adolescente relatou em seu depoimento que era alvo frequente de xingamentos e frases cheias de discriminação. Essas ofensas tinham como objetivo negar sua identidade de gênero, causando grande sofrimento.

Além dos ataques verbais, o inquérito policial apontou episódios de violência física e ameaças sérias, que configuraram um ciclo contínuo de violência doméstica. A Polícia Civil fez questão de sublinhar que os ataques eram direcionados especificamente à identidade de gênero e à raça da vítima.

A própria mãe, ao ser interrogada, confirmou que proferiu as ofensas. Ela alegou que agia dessa forma para "proteger" a filha e que queria "despertar a filha para a vida real". Uma justificativa que, para as autoridades e para a justiça, não se sustenta diante da gravidade das agressões e da dor causada.

A denúncia sobre os crimes foi registrada em março de 2025. A sentença de condenação veio meses depois, em dezembro do mesmo ano, mostrando a rapidez da justiça em casos de tamanha gravidade. A divulgação do caso só aconteceu recentemente, chamando a atenção para a importância de combater a homotransfobia e o racismo em todas as suas formas, especialmente quando a violência parte de quem deveria proteger.

Este julgamento é um marco importante. Ele reforça que a violência baseada em preconceito, seja contra a identidade de gênero ou contra a raça, é um crime grave e que a lei está preparada para proteger as vítimas. Casos como este, de violência doméstica aliada à homotransfobia e ao racismo, destacam a necessidade de apoio e conscientização para que famílias e comunidades sejam ambientes de respeito e acolhimento, e não de agressão e discriminação.