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Maria CinDRAGrela: Peça usa drag e cordel para ensinar igualdade a crianças

O espetáculo "Cordel de Maria CinDRAGrela" combina a cultura drag e a literatura de cordel para ensinar crianças sobre igualdade, machismo e preconceito em Salvador, na Bahia. Em cartaz até 8 de fevereiro.
Por Redação
Maria CinDRAGrela: Peça usa drag e cordel para ensinar igualdade a crianças

Espetáculo de cordel com drag queens faz temporada de verão aos domingos -

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A diversidade e a riqueza da cultura brasileira ganham os palcos de Salvador, na Bahia, com um espetáculo que mistura a força do cordel nordestino e a irreverência da arte drag. A peça infantojuvenil “Cordel de Maria CinDRAGrela” está em cartaz, oferecendo uma releitura inovadora de um conto clássico, mas com uma missão clara: discutir machismo, preconceito e desigualdade social de um jeito que todo mundo entende, da criança ao adulto.

Em cartaz na capital baiana como parte da programação de verão “O teatro vai invadir a sua praia”, a montagem convida famílias, educadores e, claro, muitas crianças para um mergulho em uma história que aposta no humor, na música e na poesia do cordel. As apresentações acontecem sempre aos domingos, às 11h, no Teatro Molière, localizado na Aliança Francesa. A temporada, que começou em janeiro, segue até o dia 8 de fevereiro, prometendo lazer e muita reflexão.

Um grito contra a misoginia no palco

Dirigida por Marconi Arap e com texto de Lando Augusto, a peça é uma produção do Grupo TECA. O espetáculo é uma remontagem de uma obra que estreou em 2016, e para o diretor, a volta aos palcos com um discurso tão atual só mostra o quanto os temas levantados continuam importantes e urgentes.

“Lamentavelmente, a mudança no conteúdo é pequena. Em termos artísticos, muita coisa se transformou, mas o discurso do espetáculo continua extremamente atual. Em última instância, ele é um grito contra a misoginia. A gente propõe um debate sobre gênero e sexualidade que não está dito de forma direta, mas aparece na troca de papéis, no elenco, na forma como homens e mulheres ocupam a cena”, explica Marconi Arap.

A ligação com o teatro de cordel não é por acaso. Marconi conta que essa linguagem o acompanha desde o início de sua formação artística e é uma marca do Grupo TECA. A ideia de juntar o universo do cordel com a cultura drag veio do próprio elenco, quando um dos atores, que fazia parte de um grupo de drag queens, trouxe a ideia de uma Cinderela ambientada no sertão. Esse foi o ponto de partida para um processo de criação coletiva que resultou na montagem original, elogiada pela crítica e indicada a prêmios na época.

Januária Sebastiana: uma galinha drag feminista

Entre os artistas no palco está o ator Diogo Watanabe, que faz parte do elenco desde a primeira versão da peça. Diogo revela que a construção de sua personagem, a drag queen Januária Sebastiana, foi um processo único e especial, feito sob medida para o espetáculo.

“Eu não era drag quando fui convidado. Uma das premissas do espetáculo era que os personagens fossem interpretados por drag queens, então criei a Januária Sebastiana, uma galinha feminista, empoderada, com estética totalmente nordestina. Chita, flores, cores fortes. Acompanhei a escrita do texto, sugeri falas, comportamentos. Foi um processo orgânico, a personagem nasceu para que eu pudesse estar em cena”, conta Diogo Watanabe.

Atuar para as crianças, segundo Watanabe, exige uma atenção extra à forma como a mensagem é passada. Como o texto é todo em cordel, com métrica e rima, é preciso ter concentração para que a musicalidade não se perca e as palavras, muitas vezes diferentes do dia a dia das crianças da cidade, sejam compreendidas. Ele destaca que a crítica social na peça não é imposta de maneira óbvia. “Ela está mais na estrutura do espetáculo do que no texto. Na troca de papéis, nos contrastes entre os personagens. A minha personagem, por exemplo, vive em conflito com um personagem machista. Há também questões de classe, de desigualdade, que aparecem nas relações em cena”, observa o ator.

Arte que sensibiliza e diverte

A temporada de verão é vista como uma grande oportunidade para alcançar um público ainda maior, inclusive turistas e crianças que não estão em rotina escolar. “O verão é especial porque tem mais crianças disponíveis e também muita gente de fora da cidade. Isso ajuda a furar a bolha e leva o espetáculo a públicos diversos. É um momento de lazer, mas também de aprendizado”, pontua Diogo Watanabe.

Para o diretor Marconi Arap, a iniciativa de ter o teatro em destaque no verão reforça a importância da arte na vida das pessoas. “O teatro permite diversão e reflexão ao mesmo tempo. A arte tem esse poder de sensibilizar sem impor, de provocar pensamento com humor e poesia”, defende.

Serviço:

  • O quê: “Cordel de Maria CinDRAGrela”
  • Quando: Todos os domingos até 8 de fevereiro, às 11h
  • Onde: Teatro Molière na Aliança Francesa (Av Sete de Setembro, 401, Barra, Salvador)
  • Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
  • Vendas: Sympla e bilheteria do teatro