O caso do cão comunitário Orelha, que mobilizou o Brasil em busca de justiça, ganhou um novo e importante capítulo. Nesta terça-feira, dia 10, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a exumação do corpo do animal para uma perícia mais detalhada. Além disso, o órgão determinou novas apurações para complementar a investigação da Polícia Civil.
A decisão do MPSC surge depois de analisar o relatório inicial da polícia, que apontou um adolescente como o agressor principal. Três adultos, entre eles empresários e um advogado, também foram indiciados sob suspeita de pressionar testemunhas durante o processo.
MPSC quer apuração completa e sem falhas
Para o Ministério Público, é crucial ter “esclarecimentos específicos” que garantam a verdade sobre as provas e confirmem se houve alguma interferência ilegal no andamento das investigações. Orelha foi encontrado muito mal no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, no dia 5. Um laudo inicial já indicava que a morte foi causada por um golpe forte na cabeça.
A mobilização por justiça para Orelha foi enorme. No início de fevereiro, várias cidades brasileiras tiveram protestos, com pessoas pedindo leis mais rigorosas contra maus-tratos a animais e clamando por punição aos responsáveis pelo que aconteceu com o cão.
Entenda as novas frentes de investigação
As Promotorias de Justiça organizaram a investigação em diversas frentes para garantir que todos os crimes envolvidos sejam punidos. Veja o que o MPSC pediu:
- Exumação do corpo: O objetivo é fazer uma análise técnica direta da causa da morte. A ideia é substituir o laudo indireto por uma perícia oficial que confirme o golpe fatal na cabeça do animal.
- Pressão sobre testemunhas: A 2ª Promotoria de Justiça vai investigar se dois empresários e um advogado – que são pais e tio de adolescentes investigados – tentaram coagir testemunhas, como o porteiro de um condomínio na região.
- Outros casos na região: Foi solicitado que a polícia investigue mais a fundo outros boletins de ocorrência que envolvem atos infracionais e registros de incidentes com cães no bairro.
Conduta policial sob lupa
A situação de Orelha também está impactando a cúpula da segurança pública em Santa Catarina. A 40ª Promotoria do MPSC abriu um processo para avaliar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.
“O objetivo é verificar se houve possíveis abusos de autoridade ou violação de sigilo funcional na divulgação de informações do inquérito”, explicou o Ministério Público.
Em resposta, o delegado afirmou que não foi notificado oficialmente e negou qualquer irregularidade em sua conduta.
Agora, a Polícia Civil tem um prazo para refazer depoimentos e cumprir todas as novas solicitações do MPSC. Somente depois que o inquérito for devolvido com essas informações atualizadas, o Ministério Público vai decidir se apresenta a denúncia formal à Justiça, buscando a responsabilização de todos os envolvidos no caso do cão Orelha.

