Um motorista de aplicativo foi detido na última quinta-feira, dia 8, por investigadores da Polícia Federal (PF) em Brasília, no Distrito Federal. A ação aconteceu depois que ele foi acusado de extorsão por uma delegada da própria corporação, em uma situação que começou com um notebook esquecido.
Tudo começou quando a policial utilizou o serviço de transporte por aplicativo para ir do Setor Hoteleiro até o Aeroporto Internacional de Brasília. Ao desembarcar, ela percebeu que havia deixado o computador, um item essencial e de valor, no banco de trás do veículo.
Imediatamente, a delegada entrou em contato com o motorista para tentar reaver seu equipamento. Durante a conversa, o condutor concordou em devolver o notebook, mas teria solicitado o pagamento de R$ 50 para se deslocar até o local combinado para a entrega.
O motorista explicou seu pedido usando como base o Código Civil brasileiro. Ele argumentou que a lei prevê que quem encontra um objeto perdido tem direito a receber 5% do valor do item como recompensa. No entanto, ele afirmou que, para o caso dela, cobraria apenas a quantia de R$ 50, que seria referente aos custos com o deslocamento para levar o notebook de volta.
A delegada, porém, teve uma interpretação diferente da situação. Ela considerou que a quantia solicitada pelo motorista era muito alta para ser apenas um valor de deslocamento, enxergando no pedido uma tentativa de extorsão. Para o Código Penal brasileiro, extorsão é o crime de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa.
Diante do que ela interpretou como um crime, a policial decidiu acionar seus colegas. Agentes da Polícia Federal foram chamados e abordaram o motorista do aplicativo. O homem foi então levado para a Superintendência da PF para prestar todos os esclarecimentos sobre o ocorrido e dar sua versão dos fatos.
Após ser ouvido pelas autoridades, o motorista foi liberado. Ele não chegou a ser preso, o que indica que, após a análise inicial dos fatos, não havia elementos suficientes para uma prisão em flagrante ou preventiva no momento. A situação, no entanto, destaca a linha tênue que pode existir entre a cobrança de uma taxa por um serviço de devolução e a acusação de extorsão, dependendo da interpretação das partes envolvidas e das circunstâncias apresentadas.

