Política

Nova regra do Pix ajuda a rastrear dinheiro perdido em golpes

Uma nova regra do Pix entra em vigor e fortalece o rastreamento de valores perdidos em golpes, obrigando bancos a seguir o dinheiro e agilizar contestações.
Por Redação
Nova regra do Pix ajuda a rastrear dinheiro perdido em golpes

Celular com interface do Pix diante do Banco Central. Sistema de pagamentos instantâneos é operado diretamente pela autoridade monetária brasileira — Foto: Reprodução/ICL Notícias

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Uma notícia importante para quem usa o Pix! Uma nova regra, que começou a valer nesta segunda-feira (2), promete dar mais segurança para suas transferências e dificultar a vida de golpistas. A ideia é simples: ampliar o rastreamento do dinheiro que acaba nas mãos de criminosos, tornando mais fácil recuperar valores perdidos em fraudes.

Essa atualização faz parte de um aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), um sistema criado pelo Banco Central. O objetivo principal é fechar as brechas que os estelionatários usavam para “sumir” com o dinheiro rapidamente após um golpe.

Como os golpes de Pix funcionavam antes?

Até agora, o MED já permitia que as vítimas contestassem transações suspeitas. No entanto, os criminosos eram espertos: eles pegavam o dinheiro e o transferiam rapidamente para várias outras contas, tornando o rastreamento e o bloqueio quase impossíveis. Era como tentar pegar água com a mão: o dinheiro escorria antes que o banco pudesse fazer algo.

"Antes, quando alguém caía em um golpe e perdia dinheiro, o banco só conseguia rastrear ou bloquear o valor na primeira conta para onde o golpista enviou o dinheiro. Isso dificultava muito a recuperação, porque os criminosos rapidamente espalhavam o valor para várias outras contas", explicou Marcelo Marin, contador, administrador e Mestre em Governança Corporativa.

O que muda com o novo Pix (MED 2.0)?

Com a atualização, as coisas mudam de figura. As instituições financeiras agora são obrigadas a acompanhar todo o caminho do dinheiro transferido, não apenas a primeira parada. Isso aumenta significativamente as chances de o valor ser bloqueado e devolvido à vítima, mesmo que os golpistas tentem repassá-lo para diferentes contas.

Além disso, a nova regra exige que os bancos melhorem a troca de informações entre si. Essa colaboração é fundamental para identificar as chamadas contas “laranjas”, que são usadas para esconder o dinheiro das fraudes. Para o usuário, a boa notícia é que os bancos precisarão oferecer um botão no aplicativo para contestar transações suspeitas, agilizando todo o processo.

"Além disso, os bancos estão obrigados a oferecer no aplicativo um botão para contestar transações suspeitas ou fraudulentas, o que agiliza o processo", complementa Marin, reforçando que a ideia é tornar o processo mais rápido e transparente para o usuário.

A nova regra garante a devolução de todo o dinheiro?

É importante ser claro: a nova regra melhora muito o rastreamento, mas não é uma garantia de que todo o dinheiro será recuperado em 100% dos casos. A devolução ainda depende de alguns fatores cruciais:

  • A rapidez com que a vítima denuncia o golpe ao banco.
  • Se ainda há saldo disponível na conta que recebeu o dinheiro da fraude.
  • A confirmação, após análise, de que realmente se trata de um golpe e não de um pagamento legítimo.

"Isso não garante que tudo sempre volte para a vítima, mas aumenta bastante as chances de recuperação, especialmente se o usuário denunciar o golpe rápido", ressalta o especialista.

Quais as obrigações dos bancos agora?

Segundo Marcelo Marin, os bancos e outras instituições financeiras têm tarefas bem definidas a partir de agora:

  • Implementar o MED 2.0 em todos os casos de Pix.
  • Oferecer no aplicativo uma forma clara e simples para o cliente contestar transações suspeitas, sem a necessidade de ligar para o atendimento.
  • Bloquear automaticamente tentativas de pagamento que pareçam suspeitas.
  • Colaborar ativamente no rastreamento dos valores fraudados, trocando informações com outras instituições.

A regra vale para diversos tipos de fraudes e golpes envolvendo o Pix, incluindo situações de coerção (quando alguém é forçado a fazer uma transferência). Contudo, ela não substitui outras ações importantes, como registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) e, se necessário, procurar órgãos de defesa do consumidor.

O que fazer se cair em um golpe do Pix?

Agir rápido é a chave! Se você perceber que foi vítima de um golpe, siga estes passos:

  • Entre em contato com seu banco imediatamente.
  • Peça a abertura de uma contestação via MED.
  • Registre um Boletim de Ocorrência.
  • Reúna todas as provas que puder: prints de conversas, comprovante do Pix, dados do recebedor.

Para evitar ser a próxima vítima, lembre-se sempre de proteger seus dados pessoais, usar recursos de segurança nos aplicativos bancários (como autenticação em duas etapas e alertas de movimentação), evitar clicar em links desconhecidos e, principalmente, conferir todos os dados antes de finalizar qualquer transferência. Fique de olho nas táticas de engenharia social, onde golpistas tentam manipular você para conseguir informações.