O Brasil acaba de dar um passo gigantesco na forma como o clima e o tempo são previstos em todo o país. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) agora conta com um supercomputador novinho em folha, batizado de Jaci, que promete entregar previsões meteorológicas muito mais rápidas e precisas. O equipamento começou a operar no dia 11 de dezembro e representa um salto tecnológico importante para a ciência climática brasileira.
Nomeado por votação popular, Jaci veio para substituir o antigo sistema, o Tupã. O investimento nesta máquina superpotente foi de R$ 28 milhões, feita com a empresa norte-americana HPE Cray. Essa aquisição faz parte da primeira fase do ambicioso projeto Risc (Renovação da Infraestrutura de Supercomputação) do Inpe, que busca modernizar e expandir a capacidade do instituto.
Jaci: Potência de processamento e armazenamento sem igual
A principal vantagem de Jaci é sua capacidade de processamento e armazenamento. Ele é de cinco a seis vezes mais rápido para processar dados e tem cerca de 24 vezes mais espaço para guardar informações do que o Tupã. Para você ter uma ideia, o Tupã tinha 1 petabyte de armazenamento, o suficiente para guardar vídeos em alta definição por uns 13 anos seguidos. Com Jaci, esse tempo salta para impressionantes 312 anos de vídeos em HD!
Essa capacidade extra tem um impacto direto nas previsões diárias.
“No Tupã, o processamento dos dados era feito duas vezes por dia. Agora são quatro vezes por dia. Atualizar a previsão numérica no menor tempo possível vai beneficiar diretamente os trabalhos de previsão”, contou Ivan Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados e supercomputação do Inpe, à Folha de S. Paulo.
Isso significa que teremos acesso a informações mais frescas e confiáveis sobre o que esperar do tempo.
Previsões mais detalhadas e chances de eventos extremos
Com Jaci, os meteorologistas do Inpe conseguem usar modelos de previsão com um nível de detalhe muito maior. Isso permite criar uma variedade maior de cenários climáticos, ajudando a identificar qual é o mais provável de acontecer e, o que é crucial, mapear a probabilidade de eventos extremos.
“Com isso, conseguimos apontar a possibilidade de algum cenário extremo”, explicou José Antonio Aravéquia, coordenador-geral de Ciências da Terra do Inpe, à mesma publicação.
Imagine saber com antecedência a chance de uma tempestade forte ou uma onda de calor intensa em sua região. A grade de previsão do novo sistema tem uma resolução de 10 km por 10 km, o que é o dobro de detalhamento do sistema anterior. Para áreas específicas do Brasil, essa precisão pode chegar a 3 km por 3 km. Assim, é possível identificar fenômenos bem locais, como temperaturas elevadas em bairros específicos ou efeitos do relevo no clima.
As previsões meteorológicas são um verdadeiro quebra-cabeça, montado com peças de dados de diversas fontes:
- Estações de observação na superfície e em grandes altitudes.
- Informações de navios e boias nos oceanos.
- Dados coletados por aeronaves.
- Imagens e informações de satélites meteorológicos de vários países que fazem parte da Organização Meteorológica Mundial.
Todos esses sensores coletam medidas como temperatura, umidade, força e direção dos ventos, e pressão atmosférica. Jaci pega esse volume imenso de informações e as transforma em modelos climáticos, que depois são cuidadosamente analisados pelos meteorologistas.
O maior poder de cálculo do Jaci tem um propósito maior: ajudar quem toma decisões a planejar melhor o futuro, pensando em como diminuir os impactos das mudanças climáticas e como nos adaptar a elas.
“Com o maior poder computacional, a modelagem consegue realizar previsões de mais cenários para o futuro e, com isso, permitir que tomadores de decisão adotem medidas de planejamento para mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, reforçou Aravéquia.
Um futuro mais conectado e sustentável para as previsões
A chegada de Jaci é só o começo. O projeto Risc prevê a instalação de mais três supercomputadores até 2028, o que fará a capacidade de previsão do Inpe quadruplicar. Com um orçamento estimado em R$ 200 milhões, o plano também inclui a modernização de toda a infraestrutura elétrica e dos sistemas de refrigeração do Centro de Dados Científico do Inpe. Além disso, uma usina fotovoltaica será instalada para tornar o centro ainda mais eficiente e sustentável. O Brasil está, de fato, se preparando para um futuro onde a precisão e a tecnologia andam de mãos dadas com a natureza.

