O Nubank, gigante dos serviços financeiros digitais, deu um passo enorme em sua expansão global. Na última quinta-feira (29), a empresa recebeu a aprovação inicial para se transformar em um banco nos Estados Unidos. Essa autorização vem do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), uma instituição reguladora americana, e abre as portas para que o Nubank aumente sua atuação e oferta de produtos no país.
A novidade é um marco para a fintech brasileira, que já tem uma presença forte em outras partes da América Latina, como Brasil, México e Colômbia. Com a licença bancária nacional em potencial, o Nubank poderá oferecer uma gama muito maior de serviços diretamente nos EUA. Imagine poder abrir contas de depósito, solicitar cartões de crédito, conseguir empréstimos e até mesmo custodiar ativos digitais, tudo sob a estrutura federal americana.
Nubank nos EUA: Uma visão de futuro
“Esta aprovação não é apenas uma expansão da nossa operação; é uma oportunidade de provar nossa tese de que um modelo digital-first, centrado no cliente, é o futuro dos serviços financeiros globais. Embora continuemos totalmente focados em nossos mercados principais no Brasil, México e Colômbia, este passo nos permite construir a próxima geração bancária nos Estados Unidos.”
— David Vélez, fundador e CEO da Nu Holdings
As palavras de David Vélez, fundador e CEO da Nu Holdings, deixam claro o tamanho da ambição. Ele vê essa aprovação como uma chance de mostrar que o modelo digital, que coloca o cliente no centro, é o caminho para o futuro das finanças em todo o mundo. Para tocar essa importante empreitada nos EUA, a cofundadora Cristina Junqueira se mudou para o país, assumindo a liderança do desenvolvimento e crescimento de longo prazo do novo banco. Além dela, Roberto Campos Neto, que foi presidente do Banco Central do Brasil, vai presidir o Conselho de Administração.
Mas a jornada não termina aqui. O Nubank agora precisa cumprir algumas condições específicas do OCC e também buscar aprovações importantes de outras instituições reguladoras americanas, como a Corporação Federal Asseguradora de Depósitos (FDIC) e o Federal Reserve, o banco central dos EUA. A empresa tem um prazo de 12 meses para colocar o capital necessário e até 18 meses para, de fato, abrir o banco, conforme as exigências dos reguladores.
O contexto: Nubank e o caso Banco Master
É importante mencionar que essa aprovação chega em um momento em que o Nubank, assim como outras instituições financeiras como XP e BTG Pactual, está sendo citado em uma investigação judicial. O caso apura a relação entre essas empresas e o Banco Master, acusado de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões.
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador entrou com uma Ação Civil Pública no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação questiona como eram comercializados os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master antes de sua liquidação extrajudicial – um processo que ocorre quando um banco precisa organizar suas dívidas e ativos. A alegação é que a comunicação das plataformas de investimento teria usado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como principal argumento de venda dos títulos, o que pode ter gerado confusão nos consumidores.
Em nota, o Nubank informou que parou de oferecer novos CDBs do Master em 2024 e reforçou que não trabalha com assessores de investimento. A empresa garantiu que as decisões de aplicação dos clientes são feitas de forma autônoma, dentro do próprio aplicativo. O MPRJ está analisando todas as informações e, se encontrar irregularidades, poderá abrir um inquérito civil para investigar se houve falha no dever de informação aos clientes.
Expansão além dos EUA: México e Brasil
Enquanto foca nos Estados Unidos, o Nubank também está de olho em outras frentes. No México, a subsidiária Nu México espera a aprovação final para começar suas operações, depois de já ter recebido autorização para se organizar como instituição bancária em abril de 2025. No Brasil, onde opera como instituição financeira regulamentada desde 2016, a empresa já anunciou que pretende obter uma licença bancária plena em 2026. A visão é clara: o Nubank quer se consolidar cada vez mais como um player global no setor financeiro.

