A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a segunda fase da Operação Dead Hand, que terminou com a prisão de quatro pessoas e a morte de um homem durante confronto em Salvador. O objetivo da ação era desarticular um grupo criminoso especializado no furto de carros e motos que estavam sob custódia no pátio do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia, na capital baiana.
As investigações apontam que o esquema de roubo de veículos era sofisticado e contava com a ajuda de pessoas ligadas ao próprio DPT. O grupo não só roubava os veículos, como também os adulterava para depois vendê-los ilegalmente.
Um morto e quatro presos na Operação Dead Hand
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversos bairros de Salvador, como Iapi, Pernambués e Jardim das Margaridas, um dos alvos da operação, identificado como Tássio Diorgenes dos Santos, reagiu à abordagem policial. Ele acabou baleado, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Tássio já tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas e roubo de veículos.
Além da vítima fatal, a Operação Dead Hand conseguiu prender outras quatro pessoas. Duas delas tinham ligação direta com o DPT: um ex-funcionário terceirizado e um que ainda trabalhava no órgão. Eles são apontados como peças-chave no esquema, fornecendo informações privilegiadas sobre os veículos e as chaves, além de facilitar a retirada dos bens do pátio.
“Esses indivíduos se valiam das funções que exerciam para fornecer informações privilegiadas sobre veículos e chaves, além de facilitar a retirada irregular dos bens do pátio”, informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) em nota.
A organização criminosa contava ainda com o apoio de outras pessoas que ficavam responsáveis por adulterar os sinais identificadores dos veículos e, em seguida, comercializá-los no mercado ilegal.
Esquema mirava veículos do DPT desde 2024
Os criminosos atuavam com um tipo de crime chamado peculato-furto, que acontece quando um funcionário público rouba bens que não estão diretamente sob sua posse. Além disso, eles também praticavam roubo de veículos, adulteração de sinais identificadores e comércio ilegal de armas de fogo.
A Polícia Civil apreendeu durante a operação:
- R$ 22 mil em dinheiro
- Uma pistola calibre 9mm
- Um depósito com vários veículos suspeitos de adulteração, incluindo uma motocicleta que já foi confirmada como roubada.
Os desaparecimentos de motocicletas e outros veículos do pátio do DPT, localizado no bairro do Garcia, em Salvador, vinham sendo registrados desde o início de 2024. Eram bens que aguardavam perícia ou que já tinham passado por procedimentos técnicos.
A Operação Dead Hand mobilizou um grande número de agentes de segurança, com 133 policiais distribuídos em 34 equipes. Participaram unidades do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), além de equipes do próprio Departamento de Polícia Técnica. As investigações continuam em andamento para identificar outros participantes do esquema e aprofundar a responsabilização de todos os envolvidos.

