Um dos símbolos mais marcantes da comunicação no Brasil, os famosos orelhões estão com os dias contados. Esses aparelhos, que por décadas foram essenciais para milhões de brasileiros, começam a ser removidos das ruas em várias cidades do país, marcando o fim de uma era na telefonia. Mais de 37 mil terminais de uso público (TUPs) – funcionando ou não – devem desaparecer do cenário urbano nos próximos anos.
Uma despedida necessária
A retirada em massa dos orelhões não é por acaso. Ela acontece como uma consequência direta do encerramento das concessões de telefonia fixa, que terminou no ano passado. Com o avanço imparável dos telefones celulares, que hoje estão nas mãos da maioria da população, a necessidade desses pontos de comunicação pública caiu drasticamente.
No passado, quando os smartphones eram coisa de ficção científica, os orelhões eram verdadeiros salvadores. Para fazer uma ligação, a gente dependia de fichas ou cartões magnéticos, e a fila para usar um deles era comum, especialmente em grandes centros ou em momentos de necessidade. Era um tempo onde a conexão com o mundo dependia de um telefone na rua.
O fim da obrigação para as operadoras
Com o fim dos contratos de concessão, as cinco grandes empresas responsáveis por manter esses serviços — Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica — não têm mais a obrigação legal de instalar ou cuidar dos orelhões. Os dados do setor mostram que a maioria desses aparelhos não registra uma única chamada há meses, o que tornava a manutenção um custo inviável para as operadoras.
Transição e exceções
Apesar da grande retirada, o serviço de orelhões não vai sumir da noite para o dia em todos os lugares. As empresas ainda têm, por contrato, a responsabilidade de manter a oferta de serviços de voz em regime privado até 31 de dezembro de 2028, mas apenas nas cidades onde forem as únicas prestadoras de serviço. Nessas situações, a tecnologia usada para as ligações fica por conta da própria operadora.
A Oi foi a primeira a agir, iniciando seu cronograma de adaptação e a remoção física dos aparelhos. Para as outras empresas — Algar, Claro e Telefônica —, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve divulgar em breve os detalhes sobre como e quando seus orelhões serão desativados.
Existem também algumas exceções importantes. Nos municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná, a concessionária local, a Sercomtel, decidiu manter todos os orelhões funcionando. Isso vai acontecer até que o processo de adaptação para o novo regime privado seja totalmente formalizado, garantindo que ninguém fique sem comunicação durante a transição.
Um adeus à tecnologia do passado
Desde seu auge, lá na década de 1990, o uso dos orelhões veio despencando. A onipresença dos celulares e a facilidade de comunicação pelas redes móveis tornaram esses "gigantes" das calçadas quase obsoletos. O que antes era uma necessidade diária, hoje se tornou uma peça de museu a céu aberto, um lembrete de como a tecnologia pode mudar nosso dia a dia em poucas décadas.

