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Palco do Rock agita Carnaval de Salvador com retorno triunfal e público fiel

Mesmo após incertezas, o Palco do Rock voltou a animar o Carnaval de Salvador em 2026, reunindo uma multidão apaixonada pelo gênero no Coqueiral da Praia de Piatã.
Por Redação
Palco do Rock agita Carnaval de Salvador com retorno triunfal e público fiel

Festival reúne público fiel em Piatã -

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Em meio à efervescência do Carnaval de Salvador, uma cena em particular se destaca pela energia única: um mar de gente vestida de preto, o som poderoso de guitarras e uma vibração contagiante vinda de quem respira rock n’ roll. É o Palco do Rock (PDR), uma das atrações mais tradicionais da folia baiana, que neste ano de 2026 trouxe de volta a sua atmosfera inconfundível para o Coqueiral da Praia de Piatã, em Salvador, na Bahia.

Criado em 1994, o PDR construiu ao longo dos anos uma base de fãs sólida, que não abre mão de curtir um Carnaval alternativo, longe dos trios elétricos. Para a edição de 2026, o evento começou com um clima de incerteza por conta da demora na divulgação da programação. No entanto, a paixão dos baianos pelo rock falou mais alto, e uma multidão marcou presença já na noite de sábado, 14, provando que o underground tem seu espaço garantido na festa.

Resistência e a força do rock em Salvador

Milly Barreto, produtora executiva do evento, destacou a importância do festival para a cena musical local.

“O PDR tem uma importância surreal. A gente que está na cena há tantos anos entende o quão difícil é estar num palco com uma estrutura dessas, com um público desse”, disse ela em entrevista.

O primeiro dia de shows contou com apresentações eletrizantes de bandas como Honoris Rock, Carnage, Orelha Seca, Marcio Mello, Dead Fish, Escarnium, Malefactor e Defeito de Fabricação, que fizeram o público vibrar do início ao fim.

Assim como o próprio Carnaval, o Palco do Rock é um festival de diversidade. Bandas novas e veteranas se unem para criar uma experiência inesquecível. Milly Barreto ressaltou o papel do evento como um espaço democrático:

“O Palco, além de música, é resistência, um espaço democrático, que agrega bandas novas. Acredito que essa proposta, o que está chegando, agrega no festival, faz com que a galera se renove e se mantenha essa tradição durante tantos anos.”
O festival é a prova viva de que o rock ainda tem muita força e está sempre se renovando.
“Não tem como a gente falar que o rock está morto, ele continua vivo e continua se reinventando o tempo inteiro”, afirmou Milly.

Público fiel e o encontro de gerações

O grande charme do Palco do Rock é ser uma alternativa para quem busca fugir do tradicional no Carnaval. O público se joga ao som de músicas que não encontraria nos outros circuitos da folia. A professora Denise Conceição, de 44 anos, moradora do bairro de Plataforma, no Subúrbio de Salvador, é uma prova dessa fidelidade. Ela não perde uma edição desde a criação do evento e aconselha a todos:

“Aconselho a todos a virem curtir aqui, é uma atração diferente do axé, uma galera mais radical, eu curto.”

Denise ainda defende que não há idade para o rock, e o PDR é um ponto de encontro para diversas gerações. Ela estava acompanhada do filho, Leonardo, de apenas 13 anos.

“Não tem idade, pelo contrário, a pessoa que é mais velha se encontra aqui e os mais novos também”, acrescentou. “Às vezes a pessoa curte um sambinha, mas curte um rock também, como é o meu caso. Então eu aconselho a virem para cá.”

Jovens talentos realizam sonhos no palco

A troca entre diferentes idades não se restringe à plateia, chegando também aos palcos. A banda Carnage, a segunda a se apresentar no sábado, é formada por adolescentes cheios de talento. Antônio Sousa, de 13 anos, guitarrista e vocalista da Carnage, descreveu a emoção de tocar para a multidão:

“Eu tô num êxtase, acabei de subir num palco gigante, tocar, vi gente curtindo. Isso é uma coisa muito doida para uma banda underground e adolescente na Bahia.”

A Carnage foi uma das finalistas da Oficina Bandas Novas, projeto que seleciona grupos jovens para a programação. Para Antônio, que se inspirava em bandas como Dead Fish e Malefactor (também presentes no PDR 2026), subir naquele palco foi a realização de um grande sonho.

“A gente nunca espera, mas sempre sonha. Desde o primeiro ensaio a gente tem aquele sonho de subir em um palco grande, de ter a oportunidade de tocar em um evento gigantesco e esse evento é o Palco do Rock”, celebrou.
A emoção de estar ali, dividindo o mesmo espaço com seus ídolos, era quase indescritível:
“São bandas que eu curtia antes mesmo de tocar, de estar no backstage, no camarim e tudo mais. É uma sensação incrível.”

O Palco do Rock continua sua programação até a terça-feira, 15, prometendo mais noites de muito som e energia com apresentações de Cobra de Coleira, Cartilha de Ódio, Jorge King, Thathi, Eskröta, Auro Control, Desiranted, Alkymenia e Lote 7.