Três policiais militares foram presos no Rio de Janeiro, acusados de um crime que abalou a confiança na corporação: o assalto a um ônibus de passageiros enquanto estavam fardados e em serviço. A denúncia partiu do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e aponta para roubo qualificado, com a participação dos agentes na abordagem e no roubo de 11 aparelhos de iPhone de comerciantes.
O crime, segundo as investigações, aconteceu na madrugada do dia 10 de maio de 2025, por volta das 2h30, na altura do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Os policiais, identificados como o 3º sargento Joás Ramos do Nascimento, o 3º sargento Denis Willians Neres Alpoim e o cabo Rogério Vieira Guimarães, estavam de plantão no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) de Jardim Primavera. Eles abordaram um ônibus da empresa Marlu Turismo, que transportava mercadorias compradas em São Paulo por dois comerciantes.
Durante a falsa fiscalização, os policiais teriam alegado que os produtos transportados não possuíam as notas fiscais físicas necessárias. Usando sua autoridade e, ainda por cima, armas de fogo, eles intimidaram as vítimas, que acabaram tendo seus bens subtraídos. Onze celulares do modelo iPhone foram levados na ação.
A investigação também aponta que os três militares não agiram sozinhos. Eles teriam contado com a ajuda de outras quatro pessoas, que ainda não foram identificadas. Para tentar esconder o rastro do crime, os policiais chegaram a tirar as câmeras corporais que usavam, um detalhe crucial que levantou ainda mais suspeitas.
Apesar da tentativa de encobrir os fatos, a Justiça conseguiu reunir provas importantes. Dados de GPS da viatura policial usada no assalto e, principalmente, os depoimentos detalhados das vítimas foram essenciais para identificar os policiais envolvidos e desmontar a farsa.
A denúncia formal contra os PMs foi apresentada em 5 de fevereiro pela 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar. O Ministério Público pediu a prisão preventiva dos acusados. O órgão argumenta que a liberdade dos policiais poderia colocar em risco a ordem pública, permitir a intimidação de testemunhas e que há indícios de que eles possam estar envolvidos em outros roubos parecidos na região.
Além deste caso chocante, o Ministério Público abriu outros procedimentos para investigar a fundo. Um deles apura o uso irregular das câmeras corporais por outros policiais do mesmo destacamento, o DPO de Jardim Primavera. Há também a possibilidade de os policiais denunciados terem ligação com outro roubo que aconteceu no ano passado, o que aumenta a gravidade da situação e a necessidade de uma investigação rigorosa.

