A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) está com os olhos voltados para um dos jogos online mais populares do mundo: o Roblox. A investigação começou depois que autoridades notaram que o ambiente virtual estava sendo usado de um jeito bem diferente do habitual: para simular bailes funk da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
O que a polícia viu no jogo
Imagens que viralizaram rapidamente nas redes sociais mostram um cenário preocupante. Os personagens dos usuários da plataforma aparecem com características que lembram muito o visual de traficantes de drogas da vida real. Bonecos com fuzis, máscaras cobrindo o rosto, uniformes de camuflagem e até cordões de ouro são alguns dos detalhes que chamaram a atenção.
Mas não para por aí. As simulações vão além da aparência. Dentro do jogo, é possível ver os avatares simulando o uso de drogas pesadas, em uma representação que acendeu o alerta da polícia.
O cenário virtual e as "mensagens"
O ambiente do jogo também é "decorado" de forma particular. Paredes pichadas com a sigla do Comando Vermelho (CV) e cartazes de "procurado", muito semelhantes aos que o Disque-Denúncia divulga na vida real, compõem o cenário virtual.
Essas representações detalhadas dentro de um jogo acessível a crianças e adolescentes levantam sérias questões sobre a exposição a conteúdos criminosos e a banalização de atividades ilegais, que podem influenciar a percepção do público mais jovem. A PCERJ agora busca entender a fundo como e por que essas simulações estão acontecendo no Roblox.
A resposta do Roblox
A equipe do Roblox, ciente da investigação, se manifestou sobre o caso. A empresa garantiu que não apoia nem tem qualquer tipo de associação com grupos criminosos. Pelo contrário, afirmou que suas políticas proíbem estritamente conteúdos que promovam a violência e atos ilegais.
"Onde encontramos evidências de conteúdo que viole nossas políticas, tomamos medidas para proteger nossa comunidade", afirmaram os representantes do Roblox em nota enviada ao Metrópoles.
A investigação segue
Com essa investigação, a Polícia Civil do Rio de Janeiro busca não apenas identificar os responsáveis pelas simulações, mas também entender o impacto desse tipo de conteúdo em plataformas digitais. O caso reforça a importância da moderação de conteúdo e do monitoramento de ambientes virtuais, especialmente aqueles que atraem um público jovem, para evitar a disseminação de mensagens que possam glorificar o crime.

