Polícia

Salvador celebra 3º ano sem mortes violentas no Carnaval

Salvador celebra o 3º Carnaval consecutivo sem mortes violentas nos circuitos oficiais, resultado da forte integração entre segurança e justiça, uso de tecnologia e foco no acolhimento, segundo o delegado-geral André Viana.
Por Redação
Salvador celebra 3º ano sem mortes violentas no Carnaval

Delegado destaca 80% de medidas deferidas e chama Carnaval de “marco na gestão” -

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Pelo terceiro ano consecutivo, o Carnaval de Salvador, na Bahia, chegou ao fim sem registrar mortes violentas em seus circuitos oficiais. A notícia, que reflete o sucesso de um evento que reuniu mais de 12,5 milhões de pessoas, foi comemorada pela Polícia Civil, que atribui o feito a uma forte integração entre as instituições de segurança e justiça.

O delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, em entrevista exclusiva, detalhou os quatro pilares que sustentaram a segurança da festa: integração institucional, investigação e inteligência, acolhimento e tecnologia. Para Viana, a união das forças foi o grande diferencial.

Integração: A chave para um trabalho mais focado

"A integração com as forças de segurança, tendo na liderança o nosso secretário de Segurança, Dr. Marcelo Werner, mas também a integração agora com o ciclo virtuoso que estamos vivendo com a figura do Ministério Público, do Judiciário e da Defensoria Pública. Isso significa o quê? Que a Polícia Civil pode fazer um trabalho mais focado, mais cirúrgico durante o Carnaval."

Segundo o delegado, essa união permitiu que decisões importantes, como medidas cautelares, fossem analisadas e deferidas rapidamente, ainda durante os dias de folia. "Isso possibilitou que a polícia pudesse agir com maior eficiência e efetividade nas suas ações", explicou Viana, ressaltando que 80% das 25 medidas cautelares pedidas pela corporação foram aceitas, algo que, antes, só acontecia após o Carnaval.

Investigação e Tecnologia: Respostas rápidas e prevenção

A tecnologia teve um papel crucial. Com mais de 5 mil câmeras espalhadas pela cidade e equipes de inteligência dedicadas a analisar os dados fora dos circuitos, a Polícia Civil conseguiu agir rapidamente. Viana citou um caso de tentativa de homicídio, onde três pessoas foram baleadas, e o autor foi identificado e preso em menos de 24 horas.

"O nosso desejo é que não ocorresse nenhuma lesão no circuito, mas infelizmente ocorreu, e o nosso primeiro passo é nos solidarizar com a família de cada uma dessas vítimas, mas também apresentar a resposta adequada."

Drones, inclusive os termais que operam à noite, foram usados não só para monitoramento, mas também para ações preventivas, como a identificação de uma pessoa que tentava sacar uma arma no circuito do Campo Grande, evitando um incidente grave. A tecnologia também ajudou o Corpo de Bombeiros em um salvamento perto do Cristo e recuperou mais de 130 aparelhos celulares.

Acolhimento: O Carnaval da empatia

O delegado destacou que o Carnaval de 2026 foi marcado pelo "acolhimento". Isso significou um atendimento especial a trabalhadores do circuito e vítimas de crimes, com foco em mulheres e grupos vulnerabilizados. Os postos Servir, que oferecem apoio e defesa da mulher, tiveram seu efetivo ampliado em 37%.

A atuação da polícia garantiu respostas efetivas em casos como o de importunação sexual, onde mandados de prisão foram cumpridos mesmo quando o flagrante não foi possível no momento do crime.

Um Carnaval de recordes e segurança

Além da segurança, o Carnaval de Salvador de 2026 foi grandioso em números: bateu recorde no Guinness World Records pela maior ação de reciclagem de latas de alumínio, teve mais de 2,3 mil horas de música e um aumento expressivo de visitantes, com 17% a mais pelo Aeroporto Internacional. As tentativas de homicídio caíram 28,6% em comparação ao ano anterior e o reconhecimento facial ajudou a prender 73 foragidos da Justiça.

André Viana concluiu o balanço agradecendo à liderança da Secretaria da Segurança Pública e aos investimentos do governo estadual, que incluíram a entrega de mais de 100 novas viaturas pouco antes da festa, garantindo que o terceiro ano consecutivo sem mortes violentas nos circuitos fosse uma realidade para os milhões de foliões.