O Campeonato Baiano de 2026 promete uma temporada cheia de novidades, e uma delas já está chamando a atenção no cenário do futebol local. Pela primeira vez de forma tão orquestrada, dois clubes do estado, o Jequié e o Fluminense de Feira, estão se unindo em uma estratégia ousada: eles vão compartilhar o mesmo elenco de jogadores e a mesma comissão técnica, tudo sob o comando do técnico Rodrigo Fonseca.
A ideia principal por trás dessa união é oferecer um calendário mais longo e estável para os atletas, uma realidade bem diferente do que geralmente acontece nos clubes do interior da Bahia, onde os contratos costumam durar apenas três meses por temporada.
Calendário estendido para os jogadores
Em um movimento inovador, a parceria entre Jequié, que estará na elite do Baianão, e o Fluminense de Feira, que disputará a Série B, resolve um problema crônico do futebol regional: a falta de continuidade para os profissionais. Como as competições acontecem em períodos diferentes – o Jequié no primeiro semestre e o Fluminense de Feira logo em seguida –, os times não se enfrentam e nem jogam ao mesmo tempo. Isso abre a porta para que os mesmos jogadores atuem em ambas as competições.
Com essa tática, os jogadores podem desfrutar de um calendário competitivo de até dez meses. Isso inclui:
- Três meses na primeira divisão com o Jequié.
- Três meses na segunda divisão com o Fluminense de Feira, em Feira de Santana, na Bahia.
- Mais dois meses de preparação para cada um dos campeonatos.
Essa estabilidade financeira e profissional é um grande atrativo, garantindo que os atletas tenham uma segurança que raramente encontram em clubes de menor porte.
Técnico e logística compartilhados
A liderança desse projeto ambicioso fica por conta de Rodrigo Fonseca, que já está à frente da pré-temporada do Jequié, na Bahia. A expectativa é que, após a participação na elite do Baianão, Fonseca migre com grande parte do elenco para comandar o Fluminense de Feira na Série B do estadual.
Além do time e do treinador, a logística também foi pensada em conjunto. A pré-temporada dos jogadores acontece no Centro de Treinamento do Fluminense, em Feira de Santana. Já os jogos do Jequié, quando o time for o mandante, serão disputados no estádio Waldomirão, localizado em Jequié, na Bahia. Embora as duas cidades estejam a cerca de 250 quilômetros de distância uma da outra, o planejamento minucioso garantiu que a transição seja a mais fluida possível.
Não é a primeira vez, mas é inovador na Bahia
Embora a situação chame muita atenção pela sua particularidade, o futebol brasileiro já viu casos de profissionais acumulando funções em diferentes projetos. Por exemplo:
- Em 2023, Fernando Diniz comandou simultaneamente a Seleção Brasileira e o Fluminense.
- Antes dele, em 1998, Vanderlei Luxemburgo também esteve à frente do Brasil e do Corinthians ao mesmo tempo.
Na própria Bahia, o saudoso técnico Barbosinha, que faleceu em 2025, já tinha comandado o Bahia de Feira e a Juazeirense ao mesmo tempo, lá em 2014. No entanto, a estratégia de ter um elenco quase idêntico mudando de um clube para o outro em sequência é uma novidade que promete ser um modelo para o futuro dos clubes que buscam maior profissionalização e estabilidade para seus atletas.

