Os trios elétricos de hoje são verdadeiros palcos gigantes que se movem, carregando toneladas de equipamentos e fazendo a alegria de multidões. Mas quem vê toda essa estrutura talvez nem imagine que a história deles começou de um jeito bem mais simples, quase artesanal. No entanto, o que nunca mudou foi o espírito inovador por trás dessas máquinas de fazer festa.
Longe de serem apenas caminhões adaptados, como muitos ainda pensam, os trios modernos são um show de engenharia.
“O trio não é mais um caminhão adaptado. Hoje ele é um equipamento construído do zero, com cálculo, reforço e planejamento”, explica Rômulo Santana de Lima, presidente e dono da empresa Trios Elétricos Topados.Para Rômulo, que é um dos grandes nomes dessa indústria, o processo de construção envolve um cuidado imenso com a segurança e a capacidade de carga. Enquanto uma prancha comum de caminhão aguenta cerca de 40 toneladas, um trio elétrico precisa aguentar entre 60 e 70 toneladas, o que exige pranchas super-reforçadas, ajustes precisos na suspensão e nos freios, e projetos feitos sob medida.
Um exemplo dessa evolução é o Trio Gold, uma estrutura premium que está sendo preparada para o Carnaval de 2026. Com um investimento que chega a R$ 4 milhões, o Trio Gold vai levar artistas como Léo Santana, Psirico e Tonny Salles para as ruas. Ele é de propriedade do empresário Vanderlei de Barros Lima, e mostra o nível de sofisticação que esses veículos alcançaram.
A Fobica: onde tudo começou
Essa modernidade toda tem suas raízes em Salvador, na Bahia, lá pelos anos 1950. Foi quando um carro Ford Model A, de 1929, carinhosamente conhecido como Fobica, ganhou uma função inédita. Osmar Macedo e Dodô tiveram a ideia genial de equipar o veículo com caixas de som ligadas à própria bateria do carro. Esse experimento improvisado quebrou a lógica da música estática e transformou as ruas da cidade em um grande palco a céu aberto, redefinindo o Carnaval.
Com a ideia pegando fogo e ganhando o coração do povo, o trio elétrico começou sua jornada de transformação. Rapidamente, caminhões maiores substituíram os carros leves. Essa mudança abriu caminho para estruturas mais robustas, que podiam carregar muito mais coisa, e marcou a entrada definitiva da engenharia automotiva, elétrica e acústica na festa. O que era uma invenção simples virou uma máquina complexa.
A paixão de Rômulo que virou profissão
A história de Rômulo Santana de Lima é um reflexo dessa modernização. Baiano de Salvador, ele conta que o fascínio pelos trios elétricos começou desde criança.
“Desde criança eu tinha o sonho de trabalhar com trio elétrico. Nunca imaginei que um dia estaria construindo um, mas sempre soube que queria viver isso”, lembra Rômulo.
Sua entrada no mercado foi um pouco diferente. Aos 20 anos, ele criou um perfil no Instagram, não para vender, mas para fotografar e registrar os trios elétricos que tanto admirava.
“Comecei fotografando trios e postando nas redes sociais, só por amor mesmo. A página acabou me aproximando do mercado”, conta.Foi ali que os contatos surgiram, ele aprendeu muito de forma informal e se inseriu nesse setor tão especializado.
“No começo, eu observava tudo. Fui aprendendo o máximo que podia sobre estrutura, elétrica, som, segurança. Nunca parei de aprender”, afirma.
No ano passado, Rômulo alcançou um marco emocionante:
“Tive a oportunidade de participar da montagem do trio da Daniela Mercury, o Trio Axé. Foi um momento muito importante para mim.”Hoje, sua empresa presta serviços para companhias que alugam trios para artistas famosos.
“O trio elétrico hoje é resultado de técnica, engenharia e paixão. Não é só festa, é muito trabalho por trás”, resume ele, mostrando que a magia da folia é sustentada por muito suor e conhecimento.

