Polícia

Turista presa por injúria racial em Salvador ganha liberdade provisória

Gisele Madrid Spencer Cesar, presa por injúria racial no Pelourinho, Salvador, teve liberdade provisória concedida pela Justiça com medidas cautelares.
Por Redação
Turista presa por injúria racial em Salvador ganha liberdade provisória

Turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos -

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A turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, que foi presa em flagrante por injúria racial no famoso Pelourinho, em Salvador, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça. A decisão veio durante uma audiência de custódia realizada na última sexta-feira (23), pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

O juiz Maurício Albagli Oliveira validou a prisão em flagrante da turista, mas decidiu que ela poderia responder ao processo em liberdade, desde que cumprisse algumas condições. É importante destacar que nem a Polícia Civil nem o Ministério Público pediram que a mulher ficasse presa de forma preventiva.

O que aconteceu no Pelourinho?

A prisão de Gisele aconteceu depois de uma situação de injúria racial na noite da última quarta-feira (21), no Pelourinho, um dos cartões-postais de Salvador, na Bahia. Segundo a Polícia Civil, a vítima, uma comerciante que trabalha na região, foi alvo de ofensas racistas enquanto estava em seu trabalho, em um bar durante uma festa.

O registro da ocorrência conta que a turista chegou a cuspir na comerciante. Depois da agressão, a Polícia Militar foi chamada e levou Gisele até a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).

"A investigada continuou adotando uma postura discriminatória, chegando a exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca", informou a Polícia Civil, mostrando que o comportamento da turista se manteve problemático mesmo dentro da delegacia.

As condições para a liberdade provisória

Apesar da liberdade provisória, Gisele Madrid Spencer Cesar precisará seguir uma série de regras estabelecidas pela Justiça. O objetivo dessas medidas é garantir que ela participe do processo e não coloque em risco a investigação ou a vítima.

  • Comparecer aos atos do processo: Ela precisa comparecer sempre que for chamada pela Justiça e manter seu endereço atualizado.
  • Apresentação bimestral: Por um ano, a partir de março de 2026, ela deverá se apresentar a cada dois meses à Justiça para informar e justificar suas atividades, usando o balcão virtual do Cartório Integrado.
  • Restrição de viagem: Gisele está proibida de sair de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, por mais de dez dias, sem uma autorização judicial, por um período de seis meses.
  • Proibição de acesso: Ela não pode ir à Praça das Artes, localizada no Pelourinho, em Salvador.
  • Distância da vítima e testemunhas: É proibido manter qualquer tipo de contato com a vítima, Hanna Rodrigues dos Santos Lopes, e com as testemunhas Taiana de Jesus de Oliveira e Savio Tadeu do Rio Checcucci. Além disso, ela deve manter uma distância mínima de 300 metros dessas pessoas.

A investigação sobre o caso continua em andamento, com os depoimentos da vítima e das testemunhas já coletados. A situação gerou grande repercussão e reforça a importância do combate ao racismo e à intolerância.