A janela de transferências está aberta, e os times de futebol correm contra o tempo para montar seus elencos para a próxima temporada. No entanto, para o Esporte Clube Vitória, na Bahia, a tarefa tem sido tudo, menos simples. Segundo o presidente Fábio Mota, o clube enfrenta um cenário complicado, marcado pela escassez de jogadores disponíveis no mercado e por dificuldades financeiras.
Mota explicou que a situação financeira é um dos principais entraves. O futebol brasileiro, segundo ele, viu seus custos inflacionarem por causa das novas ligas e das casas de apostas, o que levou muitos clubes a acumularem dívidas com salários e premiações. "A dificuldade é de grana mesmo, é dinheiro, tanto para o Vitória como para os outros também", lamentou o presidente.
Essa "falta de grana" fica ainda mais evidente em certos períodos do ano. Em janeiro e fevereiro, por exemplo, o Vitória não recebe a cota de televisão, um dinheiro importante para as finanças dos clubes. O pagamento só começa a partir de março, o que, para Mota, justifica a forte campanha de sócios-torcedores no início do ano, buscando outras fontes de receita.
Mercado inflacionado e poucos jogadores disponíveis
O presidente detalhou que, além do dinheiro, há um problema de oferta. "Não tem jogador, e quando tem, as pedidas são muito grandes", afirmou. Ele citou especificamente a dificuldade em encontrar um "camisa nove" (centroavante) no mercado, uma posição crucial que se soma à carência de bons laterais-esquerdo e direito.
"Não temos grandes contratações, não temos volume, a não ser os clubes que saíram da Série B para a Série A. Nós, quando saímos da B para a A, contratamos um monte de jogadores, porque você precisa mudar o estilo [de jogo]", explicou Fábio Mota.
Apesar dos desafios, o clube conseguiu segurar seus laterais-esquerdos. Já para a lateral-direita, o Vitória buscou um reforço baseado em números da Série B, trazendo um jogador que foi considerado o melhor da posição na competição. Essa negociação só foi possível "graças à boa relação que o Vitória tem com o Cuiabá", destacou Mota, lembrando que "o lateral direito sozinho não joga o campeonato", indicando a necessidade de mais peças.
As posições que o Vitória busca reforçar
Mesmo com as adversidades, o planejamento continua. O Vitória ainda precisa de quatro a cinco novos atletas para a temporada. O perfil buscado é de jogadores com "força", que não estejam "de barriga cheia", ou seja, que ainda tenham muita vontade de conquistar e se destacar na carreira.
As prioridades são claras:
- Um meio-campista, mais especificamente um "oito" que consiga dar dinamismo, "tirando o time de trás e arrastando" pelas beiradas do campo.
- Mais um centroavante, uma necessidade que surgiu com a saída do atacante Carlinhos.
- Outro lateral-direito, para complementar Matheuzinho. A saída de Willian e o fato de Claudinho só retornar em fevereiro (e aos poucos) criam essa lacuna importante no elenco.
O cenário é de cautela e trabalho intenso para a diretoria do Vitória. Com um mercado inflacionado e recursos limitados, o desafio é encontrar os reforços certos que se encaixem no perfil do clube e nas necessidades do técnico, garantindo um time competitivo para os próximos desafios.

