Chiclete com Banana é um nome que dispensa apresentações no Carnaval de Salvador, na Bahia. Mas, para a surpresa de muitos fãs, o tradicional bloco ‘Os Internacionais’ não desfilou na segunda-feira da folia este ano. Agora, o motivo veio à tona pelas palavras de Wadinho Marques, irmão de Bell Marques e integrante da banda.
Falta de patrocínio derruba bloco
Em uma conversa com a reportagem do Portal A TARDE, Wadinho foi direto ao explicar a ausência do bloco. Segundo ele, a falta de patrocínio foi a pedra no caminho, uma realidade que torna cada vez mais complicado colocar um bloco na rua.
“Concordamos com a decisão de não sairmos na segunda-feira. Hoje em dia, colocar um bloco de carnaval para desfilar é muito difícil. O patrocínio é fundamental. Eles tentaram e acabou que não conseguiram patrocínio. Ninguém imagina o custo de um bloco”
Contou o artista, deixando claro o desafio financeiro que envolve a organização de um desfile de grande porte no Carnaval.
Chiclete com Banana em outros carnavais
A conversa com Wadinho Marques não parou por aí. Ele revelou que o Chiclete com Banana não recebeu convites da Prefeitura de Salvador ou do Governo do Estado para puxar um trio sem cordas no Carnaval de 2026. Essa ausência de convites locais contrasta com a agenda cheia da banda em outros estados.
“Isso não depende de nós, depende da prefeitura e do governo”
Explicou Wadinho, sobre a falta de convites na capital baiana.
O músico destacou que, no Carnaval passado, o Chiclete com Banana fez impressionantes 11 shows em apenas cinco dias, passando por estados como Maranhão, Alagoas, Piauí e Minas Gerais. Essa maratona, apesar de cansativa, traz um retorno financeiro bem mais interessante para a banda.
“É cansativo porque a correria é grande, mas financeiramente é bem mais vantajoso. Esse ano vai ser a mesma coisa. Os outros estados não sabiam fazer Carnaval de rua, mas hoje fazem com muita competência e lá estamos nós”
Afirmou Wadinho, mostrando a adaptação da banda à nova realidade do Carnaval brasileiro, que se expandiu e profissionalizou em diversas regiões.
Valorização dos artistas baianos
Uma pergunta inevitável na entrevista foi sobre a suposta falta de valorização das bandas tradicionais e artistas locais da Bahia, especialmente quando se observa a presença massiva de nomes de outros estados no Carnaval de Salvador. Wadinho, no entanto, garantiu que, mesmo com a demanda mais baixa e a dificuldade de patrocínio, os artistas baianos continuam firmes, tocando em seu estado de origem.
Ele pontuou que os órgãos públicos estão de olho no que acontece em outras festas pelo Brasil. Assim, grandes artistas da Bahia podem tocar um ou dois dias em Salvador e depois viajar para outras cidades, aproveitando o boom do Carnaval em outros locais.
“A Bahia deu a régua e o compasso para os outros estados e eles aprenderam a fazer direito”
Concluiu Wadinho, reconhecendo a influência baiana no crescimento do Carnaval de rua pelo país e a capacidade dos artistas locais de se adaptarem a novos mercados.

