A tradicional Lavagem do Bonfim transformou Salvador, na Bahia, em um mar de fé e cultura nesta quinta-feira, 15 de janeiro. Milhares de pessoas, entre fiéis, turistas e autoridades, caminharam os 8 km que separam a Igreja da Conceição da Praia da famosa Colina Sagrada, em mais uma edição dessa festa tão importante para o calendário baiano.
Entre os nomes de destaque que acompanharam o cortejo, estava a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Ela fez questão de reforçar a importância da festividade como um forte símbolo de resistência e identidade para a população negra e para toda a cultura do Brasil.
A celebração é um encontro belíssimo entre o catolicismo e as religiões de matriz africana, culminando no famoso banho de água de cheiro nas escadarias da basílica. Para a ministra, o evento vai além de uma simples manifestação religiosa; ele se firma como um espaço político vital para a afirmação de um povo. Anielle Franco explicou que a presença do Ministério da Igualdade Racial na Lavagem do Bonfim é uma maneira de validar e fortalecer uma luta que já dura gerações tanto na Bahia quanto em todo o país.
Cultura e arte como ferramentas de poder
No meio de todo o sincretismo que é a marca registrada da capital baiana, a ministra destacou como a arte e a cultura são verdadeiras ferramentas de sobrevivência e poder.
"A cultura é o ato de resistência para a população, por exemplo, e a gente está aqui hoje para reafirmar, não só essa festa, mas também toda a luta que vem por trás dela", afirmou Anielle Franco, emocionada.
Ela mencionou a arte local e a colaboração com grandes nomes, como Margareth Menezes – a quem chamou carinhosamente de Margarida – como exemplos de como a resiliência do povo se transforma e ganha força. "É um lugar onde a gente resiste, mas também a gente tem essa resiliência cada vez mais transformada e fortalecida. Então não tinha como ser diferente estar aqui. Primeiro que meu coração está bem apaixonado, mesmo sendo carioca", confessou a ministra.
Um dos pontos mais importantes da fala de Anielle foi sobre a ocupação de espaços de decisão e cultura por pessoas negras. Para ela, ver a multidão enchendo as ruas de Salvador com tanta fé e arte é a prova de que a transformação social não só é possível, mas já está acontecendo. "Tem muita coisa para a gente entregar aí", concluiu, otimista.
A segurança e o bom andamento do evento foram garantidos pela Polícia Militar e pelos órgãos municipais, permitindo que o famoso "quem tem fé vai a pé" acontecesse sem maiores problemas. A festa continuou durante todo o dia na Cidade Baixa, com as tradicionais barracas e diversas manifestações culturais, consolidando a Lavagem do Bonfim como o maior evento popular da Bahia depois do Carnaval.

