Em 1º de janeiro de 1931, nascia o Esporte Clube Bahia, um time que já trazia em seu lema a essência de sua criação: “Nascido para vencer”. Quase um século depois, o Esquadrão de Aço vive um dos momentos mais importantes de sua história recente, conectando o glorioso passado de campeão brasileiro a um futuro cheio de esperança e novos desafios.
Depois de muitos anos, o Bahia voltou a ser visto como uma potência regional, respeitado no cenário nacional e, agora, preparado para transformar esse crescimento em conquistas continentais, algo que o clube já fez no passado.
Um Caminho de Glórias e Superações
A trajetória de conquistas do Bahia começou cedo. Logo no primeiro ano de vida, o Tricolor foi campeão baiano, mostrando desde o início a força de um clube popular, enraizado em Salvador, na Bahia, e que sempre arrastava multidões aos estádios com seus times competitivos.
Os títulos estaduais vieram em sequência, mas foi em 1959 que o Bahia gravou seu nome na história do futebol brasileiro para sempre. Jogando contra o Santos de Pelé no Maracanã, o Tricolor conquistou o primeiro Campeonato Brasileiro reconhecido pela CBF. Com essa vitória, o Bahia se tornou também o primeiro time do Brasil a disputar a Copa Libertadores da América, abrindo caminho para outros clubes brasileiros no cenário continental.
Trinta anos depois, em 1988, o clube baiano brilhou novamente, levantando o segundo troféu do Brasileirão. A Fonte Nova ficou lotada, com um público recorde para celebrar um time que se consolidava cada vez mais no estado, na região e em todo o país.
Mas nem tudo foi um mar de rosas. Depois de 1988, o Bahia passou por momentos muito difíceis. A torcida viu o clube cair de divisão, enfrentar problemas políticos e financeiros, e perder seu protagonismo no futebol nacional. Entre o fim dos anos 1990 e meados dos anos 2000, o Tricolor chegou a jogar a Série C, um verdadeiro fundo do poço para um time com tanta história.
A Virada Democrática e a Chegada do Grupo City
A reconstrução do Bahia, no entanto, começou fora das quatro linhas. Uma intervenção judicial abriu espaço para um processo democrático único, que reorganizou o clube por dentro. A partir de 2017, o Bahia adotou uma gestão responsável, com controle financeiro e projetos de longo prazo. Esse trabalho culminou com o retorno à Série A em 2022, e logo depois, em 2023, veio a grande mudança: a venda da SAF para o City Football Group, um dos maiores conglomerados de futebol do mundo.
A chegada do grupo internacional trouxe muito mais que apenas dinheiro. Significou estrutura, métodos modernos de gestão, governança transparente e uma visão de longo prazo, permitindo ao Bahia competir em um novo nível, inclusive no mercado de contratações de jogadores.
O Retorno Triunfante e os Novos Horizontes
Os primeiros passos da SAF exigiram paciência. Em 2023, o time se salvou do rebaixamento na última rodada do Campeonato Brasileiro, mostrando que o caminho seria de muito aprendizado. Mas a adaptação foi rápida.
Sob o comando do técnico Rogério Ceni, que chegou durante a fase SAF, o Bahia evoluiu rapidamente. O clube fez contratações de peso, encontrou equilíbrio tático e amadureceu em campo. Em 2024, veio a tão sonhada vaga na Libertadores, um retorno após 36 anos. E 2025 foi ainda melhor: campeão baiano, pentacampeão da Copa do Nordeste (se tornando o maior vencedor do torneio) e alcançando a 7ª posição no Brasileirão, a melhor campanha do clube na era dos pontos corridos. O Bahia garantiu a classificação para a Libertadores pelo segundo ano seguido, mostrando que o pioneiro estava de volta com força total. Fora de campo, o clube atingiu a maior média de público do século XXI, com 34.944 torcedores por jogo na Fonte Nova.
Crescimento Financeiro e Infraestrutura de Ponta
O bom momento também se reflete nas finanças. Em 2025, o Bahia superou a marca de R$ 400 milhões em receitas e alcançou mais de 76 mil sócios-torcedores. O clube bateu recordes de vendas de atletas, movimentando mais de R$ 250 milhões e realizando a maior venda da história do futebol nordestino. Além disso, o Bahia anunciou um novo Centro de Treinamento, com um investimento de mais de R$ 300 milhões, que promete ser um dos maiores e mais modernos da América Latina, impulsionado pelo Grupo City.
Os Desafios de 2026: A Régua Aumentou
O aniversário de 95 anos chega em um cenário ainda mais desafiador. Consolidado nas competições da Conmebol, o Bahia não disputará mais a Copa do Nordeste, conforme as novas regras da CBF. Agora, o foco total é equilibrar Campeonato Baiano, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e, claro, a Libertadores. A régua subiu, e o próprio Bahia foi quem a elevou.
A expectativa para 2026 é clara: avançar na Libertadores, superar as quartas de final na Copa do Brasil, brigar por uma vaga direta na Libertadores pelo G-4 do Brasileirão e, finalmente, transformar todo esse crescimento em títulos de peso. O desafio é grande, e a responsabilidade, ainda maior. Mas a história do Bahia mostra que o clube sabe atravessar tempestades e ressurgir mais forte, mesmo quase um século depois de sua fundação.

