A ideia de ter transporte público gratuito, conhecido como “tarifa zero”, está ganhando força e discussões por todo o Brasil. Agora, a proposta pode chegar de vez ao sistema estadual da Bahia, abrangendo ônibus intermunicipais, metrô e até o ferry-boat, que liga Salvador à Ilha de Itaparica.
O deputado estadual Hilton Coelho, do PSOL, fez um pedido formal ao governador Jerônimo Rodrigues, do PT. A solicitação é para que o governo inicie estudos técnicos aprofundados para avaliar a viabilidade da tarifa zero no transporte público estadual. A iniciativa busca aliviar o bolso de milhares de baianos que dependem desses meios para ir e vir diariamente.
Por que a tarifa zero?
Para Hilton Coelho, o custo alto das passagens é um dos grandes vilões da desigualdade social no estado. Ele defende que o modelo atual, onde o custo recai sobre os usuários, é “falido e injusto”, especialmente para quem tem menos condições de pagar.
“O aumento permanente das tarifas afasta usuários, piora o serviço e empurra a população para soluções precárias. Transporte público não pode ser tratado como mercadoria; é um direito social”, afirmou o parlamentar, ressaltando que o acesso à cidade é um direito fundamental.
O projeto apresentado pelo deputado pede que os estudos analisem vários pontos importantes, como:
- Os custos reais de todo o sistema de transporte.
- Quais seriam as fontes de dinheiro alternativas para bancar a gratuidade.
- Como seria feita a integração entre os diferentes meios de transporte.
- Quais seriam os impactos sociais, econômicos e ambientais da Tarifa Zero.
Exemplos que inspiram a Bahia
A Bahia já tem um exemplo mais próximo dessa realidade. A partir do próximo domingo, 11 de novembro, a cidade de Alagoinhas, na Bahia, vai começar a implantar a tarifa zero no seu transporte público municipal. Essa é uma das mais de 110 cidades brasileiras que já adotaram ou estão em processo de adotar a gratuidade.
Outras cidades no Nordeste também servem de inspiração. Teresina, no Piauí, e Caucaia, no Ceará, na Região Metropolitana de Fortaleza, já contam com a tarifa zero em seus sistemas de transporte. Essas experiências mostram que o modelo é, sim, viável e pode trazer muitos benefícios.
Benefícios comprovados e impacto nacional
Hilton Coelho destaca que, onde a tarifa zero foi implementada, os resultados são positivos. Ele menciona o aumento do número de passageiros, a melhoria da qualidade da frota, a criação de novos empregos e o estímulo ao comércio local. Além disso, a redução da poluição e dos acidentes de trânsito também são benefícios importantes.
“A Tarifa Zero amplia o acesso à cidade, garante o direito de ir e vir, facilita o acesso à saúde, à educação e ao trabalho, e faz a economia girar nos bairros populares. É uma medida de justiça social”, reforçou o deputado.
A proposta baiana se alinha a discussões maiores no país. Existe uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em nível federal, de autoria da deputada Luiza Erundina, também do PSOL. Essa PEC busca criar um Sistema Único de Mobilidade Urbana (SUM) e garantir um financiamento público permanente para o transporte coletivo, fortalecendo a ideia da tarifa zero em todo o Brasil. A pauta da mobilidade gratuita ganha cada vez mais espaço como uma solução para desafios sociais e econômicos.

