O capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, que trabalhava no batalhão de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, foi afastado das suas funções neste sábado, dia 24. A medida, preventiva, foi tomada pela Corregedoria da PM depois que um áudio, atribuído ao oficial, começou a circular nas redes sociais, levantando sérias suspeitas sobre sua conduta.
No áudio que se espalhou rapidamente, o capitão supostamente negocia com traficantes do Comando Vermelho (CV) a retirada de barricadas na cidade. O caso é grave, pois indica um possível acordo entre um membro da polícia e uma facção criminosa, que interfere diretamente na segurança pública.
Áudio polêmico e a investigação
A Polícia Militar só tomou conhecimento dessas suspeitas por meio das redes sociais, já que não havia sido feita nenhuma denúncia formal à corporação. No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Rio (MPRJ) já estavam cientes do caso, que havia sido levado a eles por meio de uma denúncia anônima.
O MPRJ está tratando a investigação de forma sigilosa. O caso foi encaminhado para a Assessoria de Atribuição Originária Criminal, um setor que apoia o procurador-geral de Justiça, especialmente em procedimentos que envolvem autoridades.
Os áudios também mencionam o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. Até agora, não há informações se ele será investigado por causa da menção. O prefeito se manifestou sobre o assunto:
"Eu vi o Alessander uma ou duas vezes. Não o conheço, não é meu amigo, não tenho intimidade. Pedi ao meu advogado pra me colocar à disposição do MPF, do MPE", disse Canella.
Passado problemático do capitão
Essa não é a primeira vez que o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa se envolve em problemas com a justiça. No ano passado, em maio, ele foi preso sob suspeita de fazer parte de um grupo de extermínio conhecido como ‘O Novo Escritório do Crime’. Esse grupo é investigado por ter cometido pelo menos duas execuções à luz do dia, que teriam sido ordenadas por envolvidos com o jogo do bicho, uma prática ilegal.
Por causa dessas antigas suspeitas, o capitão já estava sendo alvo de uma investigação pela própria Corregedoria da Polícia Militar. Esse processo interno poderia, inclusive, resultar na sua expulsão da corporação. Antes deste novo afastamento, Alessander Ribeiro Estrella Rosa exercia apenas funções administrativas dentro do batalhão, sem atuar nas ruas, devido às investigações em andamento.

