Os torcedores do Bahia e do Vitória, que tanto esperam pelos clássicos Ba-Vi ao longo do ano, podem ter uma surpresa. Os confrontos pelo Campeonato Brasileiro e outras competições da CBF correm o risco de acontecer com portões fechados ou até mesmo fora do estado da Bahia.
Essa nova possibilidade surgiu na última terça-feira, 27 de fevereiro, com a divulgação do Manual de Competições da Confederação Brasileira de Futebol. Este documento, que substitui o antigo Regulamento Geral de Competições, passa a ditar as regras para todos os campeonatos organizados pela entidade.
Segurança Pública e o futuro dos Ba-Vis
Um dos pontos que mais chama a atenção no novo manual é a forma como ele trata partidas que envolvem questões de segurança pública. Em resumo, se houver uma decisão da justiça ou um pedido das autoridades locais para que um jogo aconteça com torcida única, a Diretoria de Competições da CBF terá o poder de agir.
Isso quer dizer que, para jogos que já têm a regra da torcida única, como é o caso do Ba-Vi, a partida pode ser transferida para outro lugar – e esse lugar pode ser fora da Bahia – ou ser disputada sem a presença de nenhum torcedor.
"Trata-se de um movimento de simplificação, padronização e modernização dos nossos instrumentos normativos. O documento pretende causar um impacto imediato para todos os operadores do desporto no país, com características marcantes de inovação, modernidade, rapidez e acessibilidade", afirmou Samir Xaud, presidente da CBF, sobre o novo manual.
Mesmo que Bahia e Vitória entrem em um acordo para jogar com torcida única, a situação não se resolve automaticamente. A CBF deixou claro que, em qualquer um desses cenários, é fundamental garantir o "equilíbrio técnico-esportivo da competição". Na prática, isso abre espaço para que clássicos de grande rivalidade, como o Ba-Vi, não sejam realizados em suas cidades de origem se as autoridades considerarem que não há segurança para a presença de público.
Ba-Vi e a torcida única: uma história de oito anos
O clássico entre Bahia e Vitória já acontece com torcida única há longos oito anos. Essa medida foi adotada após o infame "Ba-Vi da Paz", em 2018, que terminou em confusão, invasão de campo e cenas de violência. Desde aquele episódio, a torcida mista nunca mais voltou aos estádios, seja na Arena Fonte Nova ou no Barradão.
Com as novas diretrizes da CBF, o debate sobre segurança nos estádios e a realização de jogos com torcida única ou em locais alternativos deve ganhar força. Isso é especialmente relevante para confrontos que, historicamente, geram conflitos.
Caso a regra de torcida única continue valendo para o Ba-Vi e a CBF decida por transferir ou fechar os portões, os dois times só devem se encontrar com torcida nas partidas do Campeonato Baiano, disputado no começo do ano. Outras competições, como a Copa do Nordeste (que o Bahia não disputa mais) e a CONMEBOL (que o Vitória não está classificado este ano), não seriam afetadas da mesma forma.
Por que a torcida única persiste?
Em uma reunião em outubro do ano passado, que envolveu o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios, órgãos públicos, torcidas e clubes, o promotor de Justiça Hugo Cassiano Sant’Anna, do Ministério Público da Bahia, explicou a decisão de manter a torcida única.
"Percebe que há um sentimento de que esse seria o formato ideal. Nós temos a compreensão de que esse também seria o formato ideal, diante da possibilidade de ambas as torcidas poderem ir ao estádio, assistir ao jogo, torcer pelo seu time", disse o promotor, reconhecendo a importância de ter as duas torcidas, mas priorizando a segurança.
Ele destacou que, desde que a medida foi implementada, não houve registros de ocorrências graves ou confrontos significativos, o que fortalece a confiança das autoridades em manter o formato atual. A preocupação principal é garantir a integridade física do torcedor, permitindo que ele vá ao estádio, assista ao jogo e volte para casa em segurança.
Há um trabalho conjunto entre Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil e órgãos municipais para analisar e melhorar os protocolos de segurança. Segundo o promotor, esse é o formato que, por enquanto, tem se mostrado mais adequado para a segurança pública.
- Determinação da CBF: A Diretoria de Competições (DCO) pode remanejar partidas ou fechá-las se houver determinação judicial ou pedido de órgão de segurança.
- Acordo entre clubes: Mesmo com um acordo para torcida única, a DCO pode transferir ou fechar os portões do jogo para garantir o "equilíbrio técnico-esportivo".

