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Foliões de Salvador revelam se o álcool ajuda na maratona do Carnaval

No circuito Barra-Ondina, em Salvador, foliões dividem opiniões sobre o papel do álcool na resistência física e diversão durante a maratona do Carnaval. Beber ou não beber, essa é a questão!
Por Redação
Foliões de Salvador revelam se o álcool ajuda na maratona do Carnaval

Com ou sem álcool, Circuito prova que disposição é ingrediente essencial do Carnaval -

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O Circuito Barra-Ondina, em Salvador, na Bahia, é muito mais que um trajeto de 4,5 quilômetros. É um verdadeiro teste de resistência e celebração, onde a energia dos foliões parece inesgotável. Nesta sexta-feira de Carnaval, o clima não foi o único ponto de discussão, mas também o conteúdo dos copos: será que o álcool é um aliado ou um inimigo da folia intensa? A pergunta divide opiniões entre os que se jogam na festa.

Quem aposta na bebida para aguentar o ritmo

Para muita gente, um copinho é o empurrão que faltava para encarar as longas caminhadas e as multidões. José Luís Martins, um brasiliense de 40 anos que veio curtir com os amigos, não faz segredo sobre sua preferência.

Eu bebo muito. Nunca vim pro Carnaval sem beber. Aliás, vou pra poucos lugares sem beber. Acho que dá [ficar sem beber], mas a pessoa tem que gostar muito do axé, porque é um desafio pra logística e tudo. Então, quando você bebe, deixa tudo mais leve. Você já sai do hotel brincando. Pra quem não bebe, vai ter que encarar. Talvez sofra mais com essa logística.

A opinião de José Luís é ecoada por seu amigo, Rafael Rocha, que veio de Fortaleza para seu nono Carnaval em Salvador. Para ele, a disposição física e o álcool são quase inseparáveis na festa.

Acho quase impossível curtir sem álcool. Não tem como dar conta não, esse sincronismo de andar pra lá e pra cá é muito desafiador.

Outro folião de Fortaleza, Paulo Figueiredo, de 34 anos, também aponta o álcool como um amplificador da animação. Embora ele acredite que o Carnaval pode ser aproveitado sem bebida, admite que ela dá um gás extra.

Eu acho que dá sim pra vir sem bebida. A pessoa tem que estar muito animada, se preparar pra isso, porque realmente é uma questão física também, né? Além disso, a bebida, queira ou não, dá uma animada, uma empolgação. Mas, no geral, quem tem preparo e quiser curtir sem beber também não tem problema nenhum, dá certo. A cidade está preparada para as duas coisas. Eu prefiro estar bebendo.

Foliões mostram que a alegria vem de dentro

Nem todo mundo, porém, vê o álcool como um item obrigatório na “caixa de ferramentas” do folião. Para alguns, o Carnaval é a chance de quebrar barreiras e celebrar, com ou sem bebida.

A soteropolitana Louirania Sousa, por exemplo, enxerga o ato de beber como parte da celebração da vida e da cultura, mas faz questão de frisar a importância da responsabilidade.

Bebo com responsabilidade. É um dia de festa em que você celebra a cultura, essa irmandade onde o Carnaval quebra barreiras econômicas e sociais. Aprecio a bebida com celebração, cuidado e moderação.

Com uma visão mais voltada para a introspecção, a assistente social Luma Isabel Paixão, de 28 anos, também de Salvador, defende que a verdadeira “vibe” do Carnaval nasce de dentro para fora. Ela gosta de beber, mas ressalta que a essência da festa não depende disso.

Eu acho que é possível sim curtir o Carnaval sem beber, porque tudo depende da alegria interna da pessoa. Embora eu beba e goste de beber, eu acho que é possível sim curtir o Carnaval sem beber, porque a festa quem faz é a gente mesma.

Ao final das contas, seja pelo “preparo físico” que Paulo menciona, ou pela “irmandade” que Louirania valoriza, o Carnaval de Salvador provou que, com ou sem álcool, o que realmente impulsiona o circuito Barra-Ondina é a energia quase sobre-humana de cada folião. A melhor “bebida” de todas continua sendo a pura alegria que brota do encontro entre o trio elétrico e a pipoca.