A Justiça da França abriu uma investigação para entender as causas da morte de um bebê que consumiu uma fórmula infantil da Nestlé. O produto faz parte de um recolhimento global iniciado pela empresa por um risco sério de contaminação. O anúncio da investigação foi feito na quinta-feira, dia 22 de janeiro.
O caso na França chamou a atenção porque a Nestlé já vem recolhendo vários lotes de suas fórmulas em diferentes países. O motivo é a possível contaminação com uma toxina chamada cereulide, que é produzida por uma bactéria conhecida como Bacillus cereus.
O bebê que faleceu na França, nascido em 25 de dezembro, consumiu a fórmula da marca Guigoz – vendida por lá – entre os dias 5 e 7 de janeiro. Infelizmente, o pequeno morreu no dia 8 de janeiro. Agora, o Ministério Público francês pediu análises detalhadas para ver se a toxina estava mesmo no produto e também uma autópsia no bebê para esclarecer tudo.
O Alerta Chega ao Brasil: Produtos Proibidos pela Anvisa
Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) agiu rapidamente. No dia 7 de janeiro, ela proibiu a venda de lotes específicos de fórmulas que chegaram ao país e alertou sobre os perigos dessa contaminação. Segundo a Anvisa, consumir alimentos com a toxina cereulide pode causar sintomas como:
- Vômitos que não param;
- Diarreia;
- Sonolência excessiva, lentidão e dificuldade de reagir (chamada letargia).
As marcas da Nestlé que tiveram lotes atingidos no Brasil e foram recolhidas são:
- Nestogeno;
- Nan Supreme Pro;
- Nanlac Supreme Pro;
- Nanlac Comfor;
- Nan Sensitive;
- Alfamino.
De Onde Veio a Contaminação?
O Ministério da Agricultura francês explicou que a razão para esses recolhimentos em massa é uma matéria-prima específica. Ela foi fornecida por um mesmo produtor na China. De acordo com a associação Foodwatch, esse fornecedor é um dos poucos no mundo que produz ácido araquidônico, uma substância que é usada em alguns leites infantis por ser uma fonte de ômega-6.
As unidades que provavelmente estavam contaminadas foram fabricadas em uma unidade na Holanda e, de lá, foram enviadas para diversos países ao redor do mundo, o que explica a abrangência do problema.
O que Diz a Nestlé e Ação de ONG
Em nota oficial, a Nestlé esclareceu que a toxina cereulide foi descoberta durante suas próprias análises de qualidade, que são feitas periodicamente. A empresa disse que já avisou o fornecedor do ingrediente e que está trabalhando junto com as autoridades responsáveis com "agilidade para evitar ou reduzir qualquer tipo de impacto ao consumidor".
Preocupada com a situação, a ONG Foodwatch anunciou, na quarta-feira, dia 21, que vai entrar com uma denúncia. O objetivo é "jogar luz" sobre esses recolhimentos, já que, segundo a ONG, "milhões de bebês no mundo estavam afetados" por essa situação. A organização busca mais transparência e responsabilidade sobre o ocorrido.

