Política

Groenlândia: A Ilha que Trump Queria e Suas Razões Estratégicas

A Groenlândia, um território autônomo dinamarquês, virou alvo do desejo de Donald Trump por razões estratégicas e recursos naturais, reacendendo debates sobre sua história e importância global. Entenda por que a ilha é tão cobiçada.
Por Redação
Groenlândia: A Ilha que Trump Queria e Suas Razões Estratégicas

Ilha que pertence a Dinamarca, Groenlândia é desejo de Donald Trump -

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A Groenlândia, um vasto território autônomo que faz parte da Dinamarca, recentemente chamou a atenção do mundo depois que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou o desejo de comprar a ilha. O interesse do republicano reacendeu uma série de discussões sobre a história do lugar, sua relação com a Europa e, claro, o grande valor estratégico que a ilha representa para os norte-americanos.

Para se ter uma ideia do tamanho da Groenlândia, ela é equivalente à soma de estados brasileiros como a Bahia e o Amazonas. Longe de ser apenas um bloco de gelo, o território ártico guarda uma rica história e uma posição geopolítica crucial.

Uma Ilha com Passado e Autonomia Crescente

A colonização dinamarquesa da Groenlândia começou lá em 1721, marcando o início de um longo período de controle europeu sobre a ilha. Curiosamente, em 1916, os Estados Unidos já tinham feito uma aquisição territorial da Dinamarca: as antigas Índias Ocidentais Dinamarquesas, que hoje são as Ilhas Virgens Americanas, foram compradas por 25 milhões de dólares em ouro.

Como parte daquele acordo, Washington garantiu que não se oporia à ampliação dos “interesses políticos e econômicos” da Dinamarca sobre toda a Groenlândia. Na prática, isso foi um reconhecimento formal da soberania dinamarquesa sobre a ilha.

Mais tarde, em 1953, a Groenlândia deixou de ser uma colônia e passou a fazer parte oficialmente do Reino da Dinamarca. Anos depois, em 2009, a ilha conquistou um autogoverno bem amplo. Isso significa que ela pode até declarar independência por meio de um referendo, mas sempre com o aval do Parlamento dinamarquês. No entanto, essa autonomia não inclui áreas cruciais como política externa e defesa. Com cerca de 57 mil habitantes e uma infraestrutura limitada, a economia da ilha ainda depende bastante dos subsídios que recebe da Dinamarca.

Por Que a Groenlândia é Tão Importante?

A localização é um dos principais motivos que tornam a Groenlândia tão desejada. A ilha fica na rota mais curta entre a Europa e a América do Norte, um ponto estratégico que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos Estados Unidos. Além da localização, a Groenlândia possui muitos recursos naturais, o que aumenta ainda mais seu apelo.

Os Estados Unidos já têm uma presença militar fixa na ilha, na Base Aérea de Pituffik, localizada no noroeste. Essa presença é resultado de um acordo feito em 1951, que permite a construção de bases americanas, desde que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam notificadas.

A Dinamarca, por sua vez, aceita essa presença militar porque, sozinha, não tem a capacidade de defender a Groenlândia. A ajuda dos EUA, que também faz parte da OTAN, oferece garantias de segurança importantes para o território. O interesse americano se estende à instalação de radares para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e a Grã-Bretanha, uma área que é usada por navios da marinha russa e submarinos nucleares. Essa vigilância é fundamental para a segurança global e a defesa dos países aliados.