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Inteligência Artificial revoluciona saúde no Brasil, salvando vidas

A Inteligência Artificial já é realidade nos hospitais brasileiros, acelerando diagnósticos e tratamentos. Einstein, Fleury e Rede D'Or usam IA para salvar vidas, reduzir custos e otimizar o atendimento, impactando milhares de pacientes.
Por Redação
Inteligência Artificial revoluciona saúde no Brasil, salvando vidas

Como a IA está salvando vidas e melhorando seu atendimento médico — Foto: Cecile Mendonça/TechTudo

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A inteligência artificial (IA) não é mais coisa de filme futurista; ela já é uma realidade que está transformando a saúde aqui no Brasil. Em consultórios, hospitais e laboratórios, a IA está trabalhando lado a lado com os profissionais para salvar vidas e melhorar, de verdade, o atendimento médico.

Durante o evento Microsoft AI Tour, que aconteceu em São Paulo, especialistas de hospitais renomados do país mostraram não só o que a tecnologia pode fazer, mas como ela já está funcionando na prática. A boa notícia é que a IA já está ajudando em muitas rotinas médicas, muitas vezes sem que a gente nem perceba.

Por que a mudança é tão urgente?

O setor da saúde enfrenta desafios enormes no mundo todo. Estamos vendo mais doenças graves e crônicas, falta de profissionais e equipes esgotadas, além de grandes diferenças no acesso à saúde. A inteligência artificial aparece como uma resposta poderosa para tudo isso.

Os números apresentados no evento mostram bem a força da IA: 80% dos hospitais já usam a tecnologia para melhorar o cuidado com o paciente e a eficiência das equipes. Processos que antes levavam tempo, como pedidos de autorização prévia, agora são feitos até 1.400 vezes mais rápido. E na descoberta de novos remédios, a IA acelera tudo em 30%.

Hospital Albert Einstein: da descoberta precoce à gestão inteligente

O Hospital Israelita Albert Einstein está na linha de frente dessa transformação digital desde 2015. O Dr. Edson Amaro Jr., que é Superintendente de Dados e Tecnologias, coordena um projeto chamado Watcher. Ele usa dados e IA para identificar logo no começo quando um paciente internado pode piorar. O objetivo é diminuir pela metade o número de transferências tardias para a UTI nos próximos dois anos.

A Central de Monitoramento do hospital tem mais de 100 tipos de alertas em tempo real, com uma equipe treinada que usa algoritmos para acompanhar cada paciente. O Einstein também criou o HStory, uma plataforma que reúne todas as informações dos pacientes em um só lugar. Uma inteligência artificial generativa ajuda os médicos a resumir o histórico de cada pessoa, liberando mais tempo para o atendimento humano.

Importante dizer que o trabalho do Einstein não fica só nas clínicas particulares. Desde 2018, Dr. Amaro lidera um projeto de Big Data para o Ministério da Saúde, desenvolvendo um Banco Nacional de Imagens Médicas e algoritmos de IA para o SUS. Isso ajuda no diagnóstico automático de doenças como zika, tuberculose e melanoma, levando tecnologia de ponta para o sistema público.

Grupo Fleury: 15 minutos que salvam uma vida

No Grupo Fleury, o diretor João Vicente Alvarenga mostrou como a medicina diagnóstica está sendo revolucionada. Eles usam uma tecnologia da startup Aidoc que analisa tomografias computadorizadas assim que as imagens são geradas. Se algo grave aparece, a IA avisa o radiologista na hora para que o caso seja tratado com urgência.

Essa ferramenta consegue identificar problemas sérios como embolia pulmonar, sangramento no cérebro e fraturas na coluna. O resultado é impressionante: o tempo para detectar esses achados caiu para cerca de 15 minutos. Desde que a tecnologia foi implementada, 656 vidas foram positivamente impactadas pela agilidade na comunicação entre médicos.

Além disso, em exames de ressonância magnética, o Fleury conseguiu dobrar o número de atendimentos por hora usando a IA. Mais de 1.500 casos graves são identificados mais cedo graças a essa tecnologia. Eles também investem em medicina personalizada com o Oncofoco, um exame que usa IA para ajudar médicos a encontrar remédios e tratamentos específicos para pacientes com câncer.

Rede D'Or: IA que encontra o que passaria despercebido

Jefferson Santana, CTO da Rede D'Or São Luiz, uma das maiores redes de saúde da América Latina, mostrou como a IA está sendo usada em larga escala. A Rede D'Or implementou o projeto NLP (Processamento de Linguagem Natural), onde um robô, todas as noites, vasculha milhares de laudos de tomografias em busca de nódulos suspeitos de câncer de pulmão – mesmo que o exame tenha sido feito por outro motivo.

Pela manhã, enfermeiras recebem a lista e começam a entrar em contato com esses pacientes para uma investigação mais aprofundada. Isso é fundamental, pois 70% dos casos de câncer de pulmão são descobertos já em estágio avançado. Com a IA, nódulos que passariam despercebidos são identificados e investigados mais cedo.

Os hospitais da rede também usam IA para analisar imagens de raio-X, tomografias e ressonâncias, procurando sinais de câncer ou alertando sobre possíveis doenças raras. Na hora de planejar cirurgias, a tecnologia permite que os médicos planejem os procedimentos de forma virtual, adaptando tudo durante a operação.

Microsoft: a base da revolução

Patrick Soares, da Microsoft, explicou que a empresa oferece as ferramentas de IA que sustentam a operação de grandes instituições como Einstein, Fleury e Rede D'Or. A Microsoft garante que os hospitais brasileiros tenham acesso às soluções mais avançadas do mundo, sempre adaptadas à nossa realidade e às nossas leis.

A mensagem principal do evento é clara: a inteligência artificial não é mais uma questão de “se” ou “quando” ela vai chegar, mas de “como” será implementada. As empresas pioneiras de 2025 já estão definindo seus modelos operacionais, unindo a inteligência insubstituível dos humanos com a capacidade analítica e operacional da IA.

  • Humanos com assistentes: Profissionais de saúde usam a IA para tomar decisões melhores, como o HStory do Einstein.
  • Equipes de humanos e agentes: Juntam equipes humanas com inteligências artificiais trabalhando juntas, como no projeto Watcher do Einstein.
  • Liderado por humanos, operado por agentes: Onde a estratégia é humana, mas robôs operam sozinhos em tarefas como a triagem noturna de laudos da Rede D'Or.

Para os médicos, isso pode significar mais tempo para cuidar das pessoas. Para os pacientes, diagnósticos mais rápidos e precisos. E para o sistema de saúde, a chance de oferecer um atendimento mais justo e de qualidade para todos, como acontece com as ferramentas que o Einstein desenvolve para o SUS. O objetivo final é um futuro onde todos possam viver com mais saúde e bem-estar.