A jornalista Julie Yukari, de 31 anos, que mora no Rio de Janeiro, fez um registro na polícia na última sexta-feira, dia 2, depois de passar por uma situação preocupante: uma foto dela, publicada no X (antigo Twitter), foi alterada pela inteligência artificial da plataforma, o Grok, para que ela aparecesse usando um biquíni. O problema é que a mudança foi feita sem a sua permissão e após pedidos de outros usuários.
A imagem original, que Julie compartilhou em seu perfil, mostrava um momento simples e alegre: a jornalista ao lado de sua gata, celebrando a chegada do Ano-Novo. Essa foto, que deveria ser apenas uma lembrança festiva, se tornou o centro de um incidente grave que levanta discussões importantes sobre privacidade e o uso irresponsável da inteligência artificial.
Julie Yukari contou como descobriu a alteração, que a deixou surpresa e indignada. Inicialmente, ela havia bloqueado o Grok, sem imaginar que a ferramenta pudesse agir dessa forma. A revelação veio ao ver outras pessoas com suas fotos editadas pela IA do X. Foi então que ela decidiu desbloquear a ferramenta e encontrou sua própria imagem modificada.
"Quando fui descendo o post, tinha uma pessoa pedindo para o Grok colocar um biquíni em mim. Eu tinha bloqueado o Grok e nem pensei que ele pudesse fazer isso. Depois, quando vi várias pessoas tendo as imagens delas editadas, desbloqueei a IA e vi que também estavam editando minha foto", explicou Julie Yukari em entrevista ao UOL.
A jornalista não ficou calada e denunciou algumas das publicações que continham a foto alterada, conseguindo que fossem removidas da plataforma. Ela expressou sua determinação em lidar com a situação de forma aberta, recusando-se a recuar por medo ou constrangimento, apesar do desejo inicial de apagar tudo e não postar mais nada.
“Estou lidando da forma que consigo, que é falando sobre isso. Pensei em apagar tudo, não postar mais nada, mas, se eu fizer isso, vai ser uma vitória para eles por estarem controlando minhas ações.”, desabafou Julie.
O caso de Julie não é isolado. Existem várias outras publicações, muitas delas em inglês, onde fotos de mulheres foram editadas pelo Grok. Geralmente, usuários, em sua maioria homens, escrevem "hey Grok" e solicitam que a inteligência artificial faça as alterações, que depois são compartilhadas publicamente na rede social. Essa prática revela um padrão preocupante de uso da tecnologia para fins de assédio e exposição indevida.
A situação fica ainda mais alarmante ao considerar as capacidades do Grok. A inteligência artificial do X demonstrou ser capaz de gerar imagens que simulam até mesmo a nudez infantil, um grave alerta sobre a falta de limites e supervisão em relação ao conteúdo que essas ferramentas podem produzir. Esse poder de manipulação de imagens, especialmente com IA, exige uma discussão urgente sobre ética, segurança digital e responsabilidade das plataformas.
O registro do B.O. por Julie Yukari destaca a necessidade de as empresas de tecnologia, como o X, implementarem salvaguardas mais robustas contra o uso indevido de suas inteligências artificiais e de protegerem a privacidade e a integridade de seus usuários. A luta contra o assédio digital e a manipulação de conteúdo sem consentimento é um desafio crescente na era da IA, e a atitude da jornalista serve como um importante lembrete de que é preciso reagir e buscar justiça.

