Um estudo importante feito no Reino Unido trouxe à luz uma descoberta que pode ajudar a entender melhor a saúde das mulheres. A pesquisa sugere que a menopausa está ligada a mudanças no cérebro que se parecem muito com o começo da doença de Alzheimer.
Publicada na prestigiada revista científica Psychological Medicine, essa investigação aponta que a perda de massa cinzenta em áreas do cérebro responsáveis pela memória e pelas emoções pode explicar por que as mulheres têm um risco maior de desenvolver demência do que os homens.
Entenda as mudanças no cérebro durante a menopausa
Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram dados de quase 125 mil mulheres, sendo que 11 mil delas fizeram exames de ressonância magnética do cérebro. Eles notaram que as alterações acontecem de forma mais intensa em três partes cruciais do cérebro:
- Hipocampo: Essencial para o aprendizado e a formação de memórias.
- Córtex Entorrinal: Importante para nossa capacidade de nos localizar e navegar no espaço.
- Córtex Cingulado Anterior: Ligado à nossa atenção e ao controle das emoções.
É bom lembrar a diferença entre substância cinzenta e branca no cérebro. A substância cinzenta é onde os neurônios processam as informações, como o 'centro de comando'. Já a substância branca funciona como os 'cabos de comunicação', conectando as diferentes regiões.
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) ajuda?
Um dos pontos que mais chamou a atenção no estudo foi a observação sobre a Terapia de Reposição Hormonal (TRH). Apesar de ser uma opção para aliviar sintomas incômodos da menopausa, como as ondas de calor e a dificuldade para dormir, a TRH não pareceu evitar a perda da massa cinzenta nessas regiões importantes do cérebro.
Os dados também mostraram que mulheres que faziam TRH tendiam a relatar mais problemas de saúde mental. No entanto, os pesquisadores fizeram uma ressalva: muitas dessas pacientes já tinham algum tipo de instabilidade psicológica antes de começar a terapia. Isso sugere que a TRH pode não ser a causa, mas sim que essas mulheres já buscavam tratamento por outros motivos.
Os especialistas por trás do estudo fazem um alerta: ainda sabemos pouco sobre como a transição hormonal afeta o cérebro e o humor. Por isso, eles defendem que mais pesquisas são necessárias para guiar tratamentos futuros e garantir que as mulheres recebam o melhor cuidado possível durante e após a menopausa.

