A cidade de Ipiaú, no sul da Bahia, viveu um fim de semana de terror com o registro de sete assassinatos entre a última sexta-feira, 16, e domingo, 18 de fevereiro. A onda de violência, que deixou os moradores assustados e fez com que muitos evitassem sair de casa, está diretamente ligada a uma briga entre facções criminosas. A informação foi confirmada pelo próprio secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP), Marcelo Werner.
Werner fez a declaração ao Grupo A TARDE, durante a apresentação do Balanço Operacional de 2025, realizada no Centro de Operações e Inteligência (COI), em Salvador. Ele explicou que as facções são as principais responsáveis pelas mortes violentas no estado e que a SSP tem trabalhado para combater esses grupos de forma rigorosa.
"As facções são as responsáveis pelas mortes violentas do Estado e, por isso, a gente vem realizando um combate firme às facções [...] para que a gente possa fazer o combate a esses criminosos, violentos, na sua maioria das vezes covardes, que afligem e violentam as populações", garantiu o secretário.
Para o caso de Ipiaú, a Secretaria de Segurança Pública agiu rapidamente e reforçou o policiamento na região. Equipes das Polícias Militar, Civil e Científica estão no local, realizando diversas atividades para trazer de volta a normalidade e a tranquilidade para os moradores. O trabalho já começou a dar resultados.
"Já tivemos prisões de pessoas responsáveis por essas mortes violentas. Quatro pessoas já foram presas, armas foram apreendidas e eu garanto que a gente vai continuar com esse reforço do condicionamento para voltar à normalidade e à tranquilidade da população", afirmou Werner.
Um detalhe importante revelado pela reportagem é que os suspeitos envolvidos no confronto pertenciam à mesma facção. Houve uma divisão interna dentro do grupo, o que iniciou uma disputa territorial na cidade, resultando nas mortes. As vítimas tinham entre 15 e 35 anos e foram assassinadas em diferentes bairros do município, como Euclides Neto, Santana e Dois de Dezembro.
Vítimas da violência em Ipiaú
- Ítalo Ravi Alves Cordeiro, de 15 anos, morto no bairro de Euclides Neto;
- Nerisvaldo Santos Damascena Barbosa, de 20 anos, assassinado no bairro Euclides Neto;
- Vinícius Costa da Silva, de 25 anos, assassinado no bairro Euclides Neto;
- Valmir Santos da Cruz, de 35 anos, morto no bairro de Santana;
- Edemarques Batista dos Santos, de 26 anos, assassinado no bairro Dois de Dezembro;
- Iago Lima Santos, de 21 anos, morto na Praça de Eventos.
Uma das sete vítimas ainda não foi identificada oficialmente.
Qualificação policial e combate à letalidade
Durante o mesmo evento, o coronel Antônio Magalhães, que em março completa um ano à frente da Polícia Militar da Bahia (PMBA), também falou sobre as ações da corporação para diminuir a letalidade nas operações. Ele destacou o investimento na qualificação dos policiais, afirmando que um agente bem treinado consegue usar melhor as ferramentas de inteligência para combater o crime de forma mais eficaz e evitar consequências indesejadas.
“Nossas operações têm sido exitosas. Temos capacitado melhor a tropa. A resposta que podemos dar à população é uma tropa mais preparada para operar. Isso permite uma atuação mais pontual, sempre direcionada ao criminoso e ao crime, sem consequências adversas”, disse o coronel Magalhães.
Sobre as queixas de uso excessivo da força em algumas operações, que por vezes atingem pessoas inocentes, o coronel garantiu que a PM atua de forma imediata para investigar todos os casos. Ele reforçou que a corporação não se preocupa apenas com as acusações, mas em abrir procedimentos para apurar a verdade rapidamente.
O comandante-geral da PMBA também ressaltou o aumento da presença policial como um dos pontos altos de sua gestão. Segundo ele, essa maior visibilidade e ação preventiva das equipes têm sido fundamentais para a redução dos índices de criminalidade em todo o estado.
“A ação preventiva das equipes tem sido mais evidente. Ampliamos a atuação da polícia e estamos mais presentes. Isso, sem dúvidas, contribuiu para a redução desses números. A prevenção tem ocorrido e, por isso, há diminuição do crime”, concluiu Antônio Magalhães.

