Política

TSE aprova novas regras e impõe cerco à IA nas eleições de 2026

TSE aprova novas regras para as eleições de 2026, proibindo o uso de IA em períodos críticos e exigindo transparência total para conteúdos manipulados na campanha.
Por Redação
TSE aprova novas regras e impõe cerco à IA nas eleições de 2026

Medida é instrumento direto de combate à violência política -

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo gigante e unânime para proteger as eleições de 2026 da desinformação, especialmente aquela impulsionada pela Inteligência Artificial (IA). Em uma reunião especial realizada nesta segunda-feira, dia 2, a Corte eleitoral aprovou novas regras que prometem um cerco inédito ao uso da IA em campanhas políticas.

A decisão, que teve o ministro Nunes Marques como relator, atualiza a Resolução nº 23.610/2019 e já está valendo. O objetivo é claro: garantir que o eleitor não seja enganado por conteúdos falsos ou manipulados, que se tornaram uma preocupação cada vez maior com o avanço da tecnologia.

IA "apagada" em período crucial

Uma das medidas mais impactantes é a proibição total de qualquer conteúdo novo criado por Inteligência Artificial em um período específico e super importante. Ninguém poderá usar materiais feitos com IA nas 72 horas antes da eleição e nas 24 horas depois que as urnas forem fechadas.

Essa proibição é sem exceção: mesmo que o material deixe bem claro que foi feito por IA, ele não poderá ir ao ar nesse intervalo. A ideia é evitar qualquer tipo de manipulação ou surpresa de última hora que possa influenciar o voto ou tumultuar o resultado.

Transparência é a palavra de ordem

Para o restante da campanha, a regra principal é a clareza total. Candidatos e partidos que usarem ferramentas de IA para mudar a voz ou a imagem de alguém precisarão avisar de forma "explícita, destacada e fácil de ver". Não basta só dizer que é IA; será preciso detalhar qual tecnologia foi usada para alterar o conteúdo original.

"O dever de informar é do responsável pela propaganda. O eleitor não pode ser induzido ao erro por manipulações sonoras ou visuais sem saber a origem do que consome", explicou o relator Nunes Marques em seu voto.

Isso significa que o eleitor terá o direito de saber exatamente o que é real e o que foi modificado por tecnologia.

Novas regras para redes sociais

As empresas de tecnologia e redes sociais também terão que se adaptar a essas novas determinações:

  • Assistentes virtuais e os famosos algoritmos de busca não poderão mais sugerir candidatos, mesmo que o usuário pergunte. Isso é para evitar que um candidato seja "empurrado" de forma discreta para os eleitores.
  • As plataformas serão responsabilizadas e terão que tirar do ar imediatamente conteúdos que sejam ilegais ou que não identifiquem corretamente o uso de IA.

As novas regras também deixam claro que haverá tolerância zero contra a chamada "pornografia de vingança" e montagens de teor sexual envolvendo candidatos. Essa medida é uma ferramenta importante para combater a violência política, especialmente protegendo as mulheres, que costumam ser as principais vítimas de ataques com deepfakes de nudez.

Calendário eleitoral e outras normas

Além das regras sobre Inteligência Artificial, o plenário do TSE aproveitou a sessão para definir outras normas importantes que vão guiar as eleições de 2026. Entre elas estão:

  • As datas e procedimentos para o registro de candidaturas.
  • As regras para auditar e fiscalizar as urnas eletrônicas.
  • Os trâmites para denúncias e casos de crimes eleitorais.

Com essas medidas, o TSE busca fortalecer a democracia e garantir que as próximas eleições sejam justas e transparentes, em um cenário onde a tecnologia exige cada vez mais atenção e regulação.