A política em Salvador, na Bahia, está prestes a alcançar um momento histórico! Pela primeira vez na história da Câmara Municipal, o número de vereadoras em exercício pode chegar a 10. Esse novo patamar representaria 23% de todos os 43 membros da Casa e marcaria um avanço significativo para a representatividade feminina no legislativo soteropolitano.
A chave para que essa marca inédita seja atingida está na movimentação do partido União Brasil. A segunda suplente da legenda, Cátia Rodrigues, pode assumir uma cadeira no plenário. Atualmente, o primeiro suplente do União Brasil, Palhinha, já está no cargo de vereador, ocupando a vaga de Alberto Braga, que foi nomeado para comandar a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit).
Duas portas abertas para Cátia Rodrigues
A ascensão de Cátia Rodrigues ao cargo de vereadora depende de duas situações que podem se concretizar nos próximos meses. Ambas envolvem titulares do partido que podem se licenciar de seus mandatos na Câmara.
Um dos cenários passa pelo vereador Duda Sanches. Após a triste perda de seu pai, o deputado estadual Alan Sanches, que morreu no último sábado (17) aos 58 anos, Duda pode se licenciar da Câmara para buscar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ideia inicial era que Duda concorresse a uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), seguindo os passos de seu pai. Alan Sanches já tinha uma pré-candidatura para a Câmara Federal, mas seus planos foram interrompidos pelo falecimento.
Contudo, reuniões importantes nos últimos dias mudaram o rumo da conversa. Com a presença de figuras como o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (também do União Brasil), decidiu-se que Duda Sanches concentraria seus esforços em uma disputa pelo Congresso Nacional, e não pela ALBA.
A outra possibilidade para Cátia Rodrigues assumir o mandato envolve o vereador Cláudio Tinoco. Ele deve se licenciar para atuar como um dos coordenadores da campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia. Com a saída temporária de Tinoco, mais uma vaga seria aberta.
Decisão pessoal e o que diz a lei
É importante destacar que a legislação eleitoral brasileira não exige que vereadores se licenciem de seus cargos para participar de campanhas ou concorrer a outros pleitos. A decisão de ceder ou não o mandato, mesmo que por um período, fica a cargo de Duda Sanches e Cláudio Tinoco.
“Foi o que aconteceu com Geraldo Júnior em 2022. Ele era presidente da Câmara e foi eleito vice-governador sem se licenciar do mandato”, explicou o especialista em direito eleitoral, Ademir Ismerim.
Essa flexibilidade legal permite que os vereadores avaliem a melhor estratégia para suas carreiras políticas e para o partido.
Crescimento da representatividade feminina
O cenário para a possível chegada de 10 vereadoras reforça uma tendência positiva. As duas últimas legislaturas da Câmara Municipal de Salvador já foram as que tiveram maior presença feminina. Nas eleições de 2020 e 2024, nove mulheres foram eleitas para ocupar cadeiras no legislativo.
A atual bancada feminina na Câmara de Salvador é composta por:
- Roberta Caires (PDT)
- Marta Rodrigues (PT)
- Débora Santana (PDT)
- Marcelle Moraes (União Brasil)
- Ireuda Silva (Republicanos)
- Isabela Sousa (Cidadania)
- Cris Correia (PSDB)
- Aladilce (PCdoB)
- Eliete Paraguassu (PSOL)
Se Cátia Rodrigues assumir, ela se juntará a esse grupo, fazendo história e impulsionando ainda mais a voz feminina nas decisões importantes para a capital baiana.

